RELATO DE EXPERIÊNCIA
TÍTULO: ROJETO DE INTERVENÇÃO DE PROMOÇÃO DA ATENÇÃO INTEGRAL CRIANÇAS MENORES DE 02 ANOS.
ESPECIALIZANDO: VANÊSSA MERCÊS SILVA LIMA
ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO
A microintervenção aqui apresentada foi desenvolvida na Unidade Básica de Saúde Antônio Menezes Leite, que possui cerca de 6000 pacientes cadastrados, cobrindo uma área de cerca de 1150 famílias, de classe baixa, e média baixa. Atualmente a unidade possui 02 enfermeiros, 02 Auxiliares de Enfermagem, 35 funcionários administrativos. São realizadas cerca de 25 consultas médicas, 40 com enfermeiras, 60 com auxiliares de enfermagem por dia.
Em virtude da demanda, somente se executa atenção domiciliar em casos específicos trazidos pelas ACS, e quando existe espaço na agenda de atendimentos.
Iniciando a discussão acerca da primeira microintervenção, é importante mencionar que a primeira reunião de equipe deu-se no dia 10 de Maio de 2018, após muita dificuldade em reunir os membros, em virtude da grande demanda de atendimentos na UBS.
Não foi possível juntar todos os recursos humanos da unidade em virtude do caos que se instalaria, da grande demanda da unidade de saúde. Todavia os que foram impactados (que se propuseram e que foi possível reunir) estavam bastante desinteressados em participar da microintervenção, chegando a transparecer que alguns estavam ali por obrigação, todavia no desenvolver do projeto pretendo envolvê-los ao ponto de perceberem que é importante a capacitação para eles, e para os pacientes que utilizam a Unidade de Saúde.
Após uma abertura inicial, agradecendo pela presença daqueles que se disponibilizaram para tal reunião foi apresentado o que é o AMAQ, elucidando os principais conceitos.
Foi falado que o AMAQ é uma auto avaliação no âmbito do PMAQ/AB é tido como um ponto de partida da melhoria da qualidade dos serviços, visto que a intenção do documento e do instrumento é que os processos autoavaliativos estejam comprometidos com a melhoria contínua da qualidade poderão potencializar outras estratégias da fase de desenvolvimento do PMAQ/AB (AMAQ, 2017).
No entendimento do AMAQ os processos autoavaliativos na atenção básica devem ser contínuos e permanentes, sendo instalado na UBS como uma cultura da eficiência tanto no monitoramento como na avaliação da gestão, coordenação e equipes/profissionais (AMAQ, 2017).
Em contrapartida o AMAQ se destaca por haver entre uma autoavaliação e outra, um intervalo de tempo suficiente para a execução de parte do plano de intervenção, permitindo que nos próximos momentos auto avaliativos sejam identificadas melhorias na qualidade dos serviços.
A partir destas primeiras discursões iniciou-se as avaliações e as conceituações segundo o consenso da equipe.
Muitos itens tiveram conceitos negativos, contudo, em virtude dos atendimentos na Unidade de Saúde, elegeu-se atenção integral à saúde, visto que é um indicador que, se mudado, traria enormes benefícios à população atendida pela Unidade.
Nesta reunião ficou definido que seriam implementadas medidas de treinamento para a equipe da UBS fortalecendo a atenção integral à saúde mais especificamente com crianças menores de 02 anos. Podendo ser ligadas ao aleitamento materno, vacinas, medidas de higiene, definição de prioridades, avaliação e classificação de risco, análise de vulnerabilidade, acompanhamento das gestantes, atendimento para a puérpera e o recém-nascido na primeira semana de vida, entre outras.
Deste modo, o estudo aqui apresentado objetiva desenvolver uma intervenção sobre a desnutrição infantil presenciada e verificada na Unidade Básica de Saúde Antônio Menezes Leite. A prática médica demonstrou que alguns pacientes não se encontram com o peso ideal definido pelo Ministério da Saúde, principalmente crianças de 0 a 3 anos.
O estudo de Benício et al. (2013) evidenciou que a desnutrição infantil como problema de saúde pública concentra-se nos municípios da Região Norte do País, onde a cobertura da Estratégia Saúde da Família é mais baixa. Detectou-se efeito de proteção da Estratégia Saúde da Família em relação à desnutrição infantil no País como um todo, independentemente de outros determinantes do problema. Ainda que a Unidade Básica de Saúde Antônio Menezes Leite não esteja concentrado na área de conclusão do autor, a mesma apresenta altos índices de desnutrição.
Segundo um estudo desenvolvido pelo UNICEF (2006), a desnutrição infantil é um problema de dimensões grandiosas, podendo até ser considerado como alarmantes em boa parte do mundo, inclusive no Brasil. Genericamente a mesma está associada a demais fatores de risco como pobreza, desigualdade, desestrutura familiar, entre outros. A desnutrição é considerada como um expressivo fator de mortalidade infantil, principalmente em países em desenvolvimento, ainda que nas ultimas décadas haja um esforço considerável contra o mal.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em um estudo publicado em 2000, 49% das mortes de crianças menores de 5 anos nos países em desenvolvimento estão relacionadas à desnutrição. Outro indicador importante diz respeito ao risco associado de uma série de doenças que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento cognitivo do indivíduo.
Em nosso país, infelizmente não existe um estudo que demonstre eficientemente um retrato abrangente e atualizado da desnutrição específica na primeira infância. Nesse sentido cumpre salientar que o último levantamento divulgado a respeito do tema foi a Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS), é datado em 1996 (UNICEF, 2009).
Outro fator importante diz respeito ao fato de que crianças desnutridas têm mais chance de apresentar complicações de saúde na idade adulta. Justamente por isso o interesse deste Projeto de Intervenção é propor medidas de combate a desnutrição na Unidade Básica de Saúde Antônio Menezes Leite.
Em virtude do problema existir, e não ser somente fruto de imaginação, e ser verificado no cotidiano da prática médica este Projeto de intervenção desenvolve-se, buscando encontrar medidas de combate a desnutrição infantil entre pacientes da Unidade Básica de Saúde Antônio Menezes Leite.
Quadro1: Matriz de intervenção, 2018.
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MATRIZ DE INTERVENÇÃO |
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Descrição do padrão: Atenção Integral a Crianças Menores de 02 Anos |
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Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: Desnutrição Infantil |
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Objetivo/meta: Alcançar os parâmetros considerados normais para a Nutrição de pacientes de 0 a 02 anos de idade da Unidade Básica de Saúde Antônio Menezes Leite. |
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Estratégias para alcançar os objetivos /metas |
Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução) |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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Apresentação da Intervenção a equipe através de Reunião |
Reunião com a equipe apresentando o AMAQ, suas potencialidades, conceitos, e propondo a intervenção junto as crianças de 0 a 2 anos com relação a atenção integral com enfoque na desnutrição infantil. |
Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: Instrutivo AMAQ. |
Aceitação da equipe para a intervenção; entendimento da proposta; |
Médico |
06 meses |
Relatório de avaliação de verificação; percepção da aceitação da equipe;
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Agendamento dos treinamentos |
Agendar o treinamento junto a equipe no sentido de orientá-los a como proceder com casos de crianças de 0 a 2 anos que cheguem na unidade de saúde. |
Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: Diretrizes de Atenção Básica (BRASIL, 2009) |
Entendimento dos profissionais da UBS de como gerenciar casos de atenção integral a criança de 0 a 2 anos com padrões nutricionais abaixo do esperado. |
Médico e enfermeiros |
30 dias |
Agenda e relatório de execução |
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Treinamento |
Reunir a equipe para treinamento |
Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: Diretrizes de Atenção Básica (BRASIL, 2009) |
Aprendizagem de como lidar com a desnutrição infantil e a atenção integral a criança de 0 a 2 anos. |
Médico e enfermeiros |
15 dias |
Relatório de aprendizagem |
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Agendamento das Ações |
Agendar com as mães das crianças as reuniões |
Humanos: pacientes |
Adesão mínima de 10 pacientes que apresentem parâmetros nutricionais abaixo do esperado. |
Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos. |
15 dias. |
Agenda |
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Execução das ações |
Promoção e Palestras, orientações, rodas de conversa, entre outras medidas no intuito de normalizar os padrões nutricionais das crianças intervindas |
Humanos: pacientes, Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: apresentações, folhetos, cartazes, entre outros. |
Compreensão e adoção de medidas de combate a desnutrição infantil. |
Médico Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos. |
15 dias |
Questionário, relatórios |
O sentimento acerca da equipe com a intervenção não foi dos melhores, mas percebi que alguns em virtude de ganhar mais conhecimento ficaram um pouco mais entusiasmados, todavia todos firmaram um compromisso em auxiliar o segmento do Projeto de Intervenção.
Percebeu-se grandes dificuldades em reunir a equipe em virtude da grande demanda na Unidade. Quanto às potencialidades na execução, destaque para o grande número de atendimentos de puérperas e crianças menores de 02 anos, com as características necessárias para a intervenção.
Espera-se que após esta intervenção a atenção integral a saúde possa ser melhor implementada na UBS, a partir de uma melhor interação entre os recursos humanos da unidade, com o entendimento que a capacitação é necessária tanto para a formação dos mesmos quanto para um bom atendimento aos usuários da unidade de saúde.
Referências
BENICIO, M.H.D., et al . Estimativas da prevalência de desnutrição infantil nos municípios brasileiros em 2006. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v.47, n.3, p.560-570, June, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica – AMAQ. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher – PNDS 2006: dimensões do processo reprodutivo e da saúde da criança. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 300 p. (Série G. Estatística e Informação em Saúde).
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