25 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

TÍTULO: PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE: IMPORTÂNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DR. QUIRINO LOPES EM ESTÂNCIA(SE)

ESPECIALIZANDO: ROBERT JUNIOR REZENDE

ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO

 

A Unidade Básica de Saúde Dr. Quirino Lopes, no município de Estância, Sergipe, atualmente possui cerca de 7500 pacientes cadastrados, aproximadamente 2000 famílias em situação de extrema pobreza, segundo a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Unidade atende cerca de 120 pessoas por dia. Para as consultas médicas são agendados 15 pacientes no período matutino e 10 pacientes no período vespertino, deixando um espaço para 6 atendimentos de urgência. Semanalmente, realizamos 05 visitas domiciliares agendadas. Atualmente a equipe conta com 04 agentes administrativos e possui o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), não conta com o Enfermeiro (a), faltam 02 Agentes Comunitário de Saúde e não possui Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF).

Com muita dificuldade, após a liberação pela Coordenadoria da Atenção Básica, marcamos a reunião para apresentação e avaliação do AMAQ. A Unidade de Saúde possui uma demanda de atendimentos muito grande por isso foi separado somente uma hora no final da tarde de sexta-feira, dia 11 de maio de 2018 e, por isso alguns pacientes precisaram ser reagendados. Ao iniciar a reunião todos foram cumprimentados, de modo que como não foi possível reunir todos, foi feito agradecimentos com os recursos humanos que se fizeram presentes (04 pessoas).

Dando início a reunião, apresentou-se as principais características e conceitos do AMAQ. O conceito básico do instrumento é que o mesmo é uma ferramenta de autoavaliação no âmbito do PMAQ/AB tida como um ponto de partida para a melhoria da qualidade dos serviços, visto que o Ministério da Saúde (MS) entende que os processos autoavaliativos ajudam e estão comprometidos com a melhoria contínua da qualidade de modo que, poderão potencializar outras estratégias da fase de desenvolvimento do PMAQ/AB (AMAQ, 2017).

Outra importante menção do AMAQ diz respeito ao fato do mesmo trabalhar sobre a plataforma de processos autoavaliativos, da necessidade de serem contínuos e permanentes, transformando-se ao longo do tempo em uma cultura interna de gestão, monitoramento e avaliação através dos processos. Apresentou-se também um destaque para o fato do AMAQ desenvolver em formato de intervenções a correção das falhas identificadas, ou seja, apresenta entre o intervalo de uma autoavaliação e outra, um tempo suficiente para a execução de parte do plano de intervenção, permitindo que nos próximos momentos auto avaliativos sejam identificadas melhorias na qualidade dos serviços (AMAQ, 2017).

Depois desta breve apresentação iniciou-se a leitura e a aplicação dos conceitos do AMAQ. Verificou-se que a UBS Dr. Quirino Lopes apresenta muitas debilidades, todavia elegeu-se a Educação Permanente como o ponto a ser trabalhado. Este indicador foi selecionado em virtude dos processos de reorganização da Atenção Básica na atualidade e, exigir dos profissionais com um novo perfil, muito mais dinâmicos, com novas habilidades e competências para atuar na diversidade das demandas, nas realidades do território e na integração com a comunidade.

Em realidade trata-se de concepções e práticas de saúde que incluem: trabalho em equipe, interdisciplinaridade, compartilhamento de saberes, capacidade de planejar, organizar e desenvolver ações direcionadas às necessidades da população. Deste modo, o perfil dos profissionais da equipe de Atenção Básica estão vinculados a características pessoais, aos seus processos de formação e a qualificação, bem como às suas experiências, vivências e práticas. Justamente por isso esse indicador foi o escolhido. Também cumpre salientar que existiu nesta reunião a sugestão de treinamento acerca da importância do aleitamento materno, ou seja um Curso que treinasse os recursos humanos da Unidade de como atender as nutrizes, demonstrando assim o quão importante é o aleitamento materno exclusivo até os 06 primeiros meses.

Nesse sentido, apresenta-se alguns dados da literatura. A assistência primária à saúde tem objetivo principal no acompanhamento do binômio mãe-filho nos primeiros meses e anos de vida. Nesse sentido a Saúde da Família através do atendimento em Unidades Básicas de Saúde desenvolve Ações estratégicas para a promoção do aleitamento materno exclusivo e desmame precoce, no intuito da melhoria da saúde da criança.  Aqui importa mencionar que a boa saúde do bebê começa com a amamentação. Todavia informação é crucial, visto que amamentação é mais simples quando as mães possuem conhecimentos sobre as práticas saudáveis tanto para ela e para os bebês (BRASIL, 2009).

Nem todas as mães podem amamentar, deve-se tratar este axioma como uma exceção, visto que muitas mulheres em virtude de inúmeros mitos evitam a amamentação. Quando existam de fato obstáculos que impeçam a amamentação, deve-se primar pelo apoio dos familiares, dos amigos, da equipe de saúde e do seu ambiente de trabalho (BRASIL, 2003).

O aleitamento materno possui grandes vantagens. Segundo UNICEF (2012, p. 06): “O leite materno é um alimento vivo, completo e natural, adequado para quase todos os recém-nascidos, salvo raras exceções.” Não restam dúvidas que o aleitamento materno possui inúmeras vantagens, já comprovadas pela literatura. A primeira vantagem diz respeito ao fato de que o leite materno é o alimento mais completo que existe para o recém-nascido até a idade de seis meses de vida. Justamente por isso, os pais não necessitam complementar a alimentação do nascituro com outros leites, com mingaus ou até mesmo com suquinhos e chás, o que significa uma economia para o orçamento familiar, principalmente para aquelas famílias carentes, como é o caso da grande maioria da clientela presente na UBS Dr. Quirino Lopes (BEZUTTI, 2016).

Marques, Cotta, Priore (2011) ensinam que o leite materno possui a vantagem de ser muito mais fácil de digestão visto que não gera sobrecarga sobre o intestino e os rins do bebê.

 Nos estudos de Passanha et al., (2010) verificou-se que o leite materno traz uma proteção imunológica fantástica, protegendo o recém-nascido da grande parte das doenças existentes, tem caráter afetivo entre a mãe e o bebê, visto que transmite amor e carinho, fortalecendo os laços entre a mãe e o bebê. O leite materno também protege a mãe da perda de sangue em grande quantidade depois do parto, como também protege a mãe da anemia porque impede a menstruação, e por fim diminui as chances de a mãe ter câncer de mama e de ovário.

Sendo assim, elaboramos a nossa matriz para intervenção:

 

Matriz de Intervenção: Educação Permanente (Importância do Aleitamento Materno)

 

Descrição do padrão: 4.20. A equipe desenvolve ações, desde o prénatal até os 2 anos de vida da criança, para incentivar e orientar o aleitamento materno e a introdução de alimentação complementar saudável.

Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: Nutrizes abandonando o aleitamento materno antes do Mínimo estipulado pelo Ministério da Saúde

Objetivo/meta: Desenvolver a conscientização das Nutrizes acerca da importância do aleitamento materno.

 

Estratégias para alcançar os objetivos/metas

Atividades a serem desenvolvidas

(detalhamento da execução)

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

Resultados esperados

Responsáveis

Prazos

Mecanismo e indicadores para avaliar o alcance dos resultados

Apresentação da Intervenção sobre a importância do Aleitamento Materno

Reunião com a equipe apresentando inicialmente os conceitos do  AMAQ, suas potencialidades, conceitos, e propondo a intervenção junto as nutrizes com enfoque na importância do  aleitamento materno.

 

Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.

Materiais: Instrutivo AMAQ. Cartilha de Aleitamento Materno Ministério da Saúde (BRASIL, 2017)

Aceite da equipe para a intervenção acerca da importância do aleitamento materno;

Médico

04 meses

Relatório

Agendamento de treinamento sobre a importância do aleitamento materno

Agendamento do treinamento da equipe quanto as medidas a serem tomadas na intervenção quanto a importância do aleitamento materno.

Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.

Materiais: Cartilha de Aleitamento Materno Ministério da Saúde (BRASIL, 2017)

Entendimento dos profissionais da UBS Dr. Quirino Lopes de como orientar as Nutrizes quanto a importância do aleitamento materno.  

Médico, enfermeiros, ACS, Administrativos

30 dias

Agenda e relatório de execução

Treinamento

Reunião com a equipe para treinamento acerca da importância do aleitamento materno

Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.

Materiais: Cartilha de Aleitamento Materno Ministério da Saúde (BRASIL, 2017)

Aprendizagem de como lidar com o abandono do aleitamento, preconizando por mostrar a importância do aleitamento materno.  

Médico, enfermeiros, ACS, Administrativos

15 dias

Relatório de aprendizagem

Agendamento das Ações

Agendar com as pacientes as reuniões

Humanos: as pacientes

Adesão de no mínimo 15 pacientes que estejam amamentando ou fazendo pre natal na UBS.

Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos.

07 dias.

Agenda

Execução das ações junto as pacientes

Palestras, orientações, rodas de conversa, entre outras medidas no objetivo de demonstrar a importância do aleitamento materno.

Humanos: pacientes, Médico, enfermeiras, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.

Materiais: apresentações powrpoint, folhetos, cartazes, entre outros materiais.

Compreensão e adoção de medidas de combate ao abandono da amamentação antes dos 06 meses.

Médico Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos.

21 dias

Questionário, relatórios

Monitoramento

Verificação se as participantes estão amamentando ao menos até os 06 meses de vida os bebês.  

Humanos: pacientes, Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.

 

Seguimento da orientação do Ministério da Saúde de amamentação até os 06 meses de idade.

Paciente

Médico Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos.

60 dias

Relatórios

 

No que diz respeito a percepção da equipe quanto a primeira microintervenção, pode-se dizer que foi boa, mesmo não podendo contar com todos os profissionais em virtude da necessidade de continuação do atendimento da Unidade de Saúde. Acredita-se que o indicador de Educação Permanente foi, com bastante entusiasmo, acolhido pelos participantes. Quanto às potencialidade e dificuldades em sua execução, acreditamos que as potencialidades são as inúmeras áreas que poderão ser abrangidas (educação permanente das equipes, capacitação, melhor saúde das nutrizes e dos nascituros, entre outras), quanto às dificuldades, acredita-se que será o tempo para desenvolver esta intervenção com estes profissionais como também alguma eventual resistência da equipe, falta de recursos entre outras. Foi visto que houve impactos positivos ao passo que os profissionais entenderam que a microintervenção tem a intenção de melhorar o atendimento aos usuários da Unidade Básica de Saúde.

 

Referências

 

 

BEZUTTI, Sandra. A importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade. 2016. Disponível em:< http://www.uniedu.sed.sc.gov.br/wp-content/uploads/2016/10/SANDRA-BEZUTTI.pdf> Acesso em 23 de Maio de 2018.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica: AMAQ. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança. Nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Ed. Ministério da Saúde, 2009.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Pré-natal e Puerpério: atenção qualificada e humanizada – manual técnico. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.

 

MARQUES, E. S.; COTTA, R. M. M.; PRIORE, S. E. Mitos e crenças sobre o aleitamento materno. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v.16, n.5, p.2461-2468, 2011.

 

PASSANHA, A.; CERVATO-MANCUSO, A. M.; SILVA, M. E. M. P. Elementos protetores do leite materno na prevenção de doenças gastrintestinais e respiratórias. Rev. bras. crescimento desenvolv. hum., São Paulo, v.20, n.2, p.351-360, 2010.

 

UNICEF. Promovendo o aleitamento materno. 2012. Disponível em:< https://www.unicef.org/brazil/pt/aleitamento.pdf> Acesso em 23 de Maio de 2018.

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