25 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

 

 

SAÚDE MENTAL E AÇÕES PARA MELHORIA

 

ESPECIALIZANDA: MARIA MILAGROS NUNEZ RUIZ

ORIENTADORA: DANIELE VIERA DANTAS

 

Para realizarmos essa microintervenção, a equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) de Enxu Queimado realizou reunião no dia 28 de junho de 2018, às 16 horas, na sala das Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), a fim de analisar os indicadores da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ) e identificar problemas passíveis de melhoria quanto a organização de processo de trabalho e atenção integral a saúde de indivíduos com doenças psiquiátricas e em uso de álcool e drogas.

Após o debate em equipe, conseguimos elaborar uma ficha espelho para a coleta de dados referente a esses usuários. Nessa ficha, contém dados referentes a: endereço, nome completo, idade, sexo, usuário de benzodiazepínicos ou outros psicofármacos, sofrimento psíquico grave, uso de álcool, uso crack ou outras drogas.

Para dar início, usamos os registros que já possuíamos na nossa unidade, nos quais estão todos os usuários de benzodiazepínicos, antidepressivos, antipsicóticos, anticonvulsivantes e outros medicamentos de controle especial. Esses registros estão atualizados em prontuários individuais e dizem respeito ao nome completo, idade, sexo, ACS, endereço, nome do medicamento e pessoa responsável pelo usuário.

Nossa equipe também possui registro daqueles pacientes com sofrimento psíquico mais graves e que necessitaram de alguma internação e dos usuários de álcool. Atualmente, a UBS não tem registro de caso de usuários de drogas.

Em nosso município contamos com uma equipe de apoio matricial do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF) composta por psicóloga, fonoaudióloga, nutricionista, educador físico e fisioterapeuta. Há constante articulação entres esses profissionais e a equipe da UBS, compartilhamos os diagnósticos, tratamentos e acompanhamentos. Eles participam de nossa reunião mensal, nela agendamos os atendimentos e criamos linhas de intervenção em conjunto, que inclui visita domiciliar e atendimentos compartilhados com diferentes especialidades, para gerar ações que permitem enxergar o individuo em sua totalidade.

Até agora, não contamos com equipe de apoio do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) no município e com bastante dificuldade conseguíamos que alguns de nossos pacientes fossem avaliados pelo psiquiatra do CAPS do município vizinho. No entanto, esse convênio foi finalizado porque nem todos os pacientes são aceitos no hospital de referência, Hospital Doutor João Machado, uma vez que não se apresentam em condições graves. Oferecer melhor atendimento e acompanhamento a esses pacientes é um dos pontos que precisamos melhorar.

Para esta microintervenção, escolhemos o caso de paciente do sexo feminino, 72 anos, residente com filho, nora e neto e com transtornos psiquiátricos do tipo depressivo há 15 anos. A senhora tem história de inúmeras tentativas de suicídio sem êxito e em um dos episódios, há 10 anos, feriu-se com arma branca na região do mediastino, sem dados a órgãos vitais, porém sendo necessário cirurgia torácica de emergência.

Na ocasião da tentativa de suicídio de 10 anos atrás, a paciente iniciou tratamento psiquiátrico, de acompanhamento não regular, com uso de diazepam 10mg, 1 vez/dia; haloperidol 5mg, de 12/12 horas; clorpromazina 25mg, de 12/12 horas e imipramina 25mg, de 12/12 horas. Apesar do tratamento, no ano passado, foi internada no Hospital Doutor João Machado porque fugiu de sua residência e foi achada com uma corda amarrada ao pescoço em asfixia incompleta. Devido a esse episódio, iniciou uso de carbolitium 300mg, uma vez ao dia. Com o uso regular e supervisionado pela família deste medicamento, apresenta-se mais calma. Depois da alta hospitalar, foi avaliada pelo psiquiatra do CAPS.

Dentre as ações propostas para este caso, temos o acompanhamento com a psicóloga do NASF de nosso município e com a equipe através de atendimentos programados mensalmente na UBS ou visita domiciliar. Outra ação proposta foi a incorporação no CAPS, juntamente com outros três pacientes, três vezes por semana, uma vez que moram em um distrito distante da cidade com dificuldade de deslocamento.

Além disso, estamos trabalhando na criação de grupo de apoio com o NASF para incorporar a maior quantidade de pacientes com sofrimentos psíquicos, dentro eles esta paciente. Nesse grupo de apoio, serão oferecidas diferentes atividades físicas e de relaxamento e orientações nutricionais, buscando redução do uso de medicamentos controlados.

A reunião realizada com a equipe da UBS foi bastante produtiva, os profissionais ofereceram ideias interessantes com a finalidade de melhorar o atendimento e o acompanhamento desses pacientes que por vezes são excluídos da sociedade, mas merecerem toda nossa dedicação. Esperamos ter bons resultados e cumprir nossos objetivos.

 

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