24 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

RELATO DE EXPERIÊNCIA: RECONHECENDO SABERES DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, COMO POTENCIAL INSTRUMENTO DE TRABALHO DA ESF.

ESPECIALIZANDO: EDUARDO ALONSO ROMO.

ORIENTADOR: CLEYTON CEZAR SOUTO SILVA.

COLABORADORES: ELZA GESSIANE GUERRA DA SILVA, PATRICIA RODRIGUES DE LIMA, MARIA IVANI DA SILVA MARQUES, GHEYSA PRISCILA DA SILVA DUARTE, RUBENITA RENTE DA SILVA FERNANDES, ALINE ROCHA FARIAS, DULCICLEIA DA SILVA GOMES, EDILEUZA CARDOSO DA SILVA, JAQUELINE FARIAS ROCHA, MARIA DAS NEVES LOPES DOS SANTOS, MARIA NILCE MORAES DE ARAÚJO, MARILENE BACELAR LIMA, NAIANE CRUZ DA SILVA,NILCILENE CRUS DA SILVA, ROSI LINDINETE MARQUES CRUZ, ZANIA AMARAL, DOMINGOS PEREIRA DA SILVA FILHO,FÁTIMA JOSIANE DE AZEVEDO ALVES, LUANA MACHADO COLARES GONSALVES BORGES,LUCIANO CAIO VIEIRA, MANOEL DE JESUS DO NASCIMENTO MONTE E MÔNICA SENA BARBOSA.

 O Programa Nacional de Melhoria do Acesso e Qualidade (PMAQ) tem como principal objetivo induzir a ampliação do acesso e a melhoria da qualidade da atenção básica, com garantia de um padrão de qualidade comparável nacional, regional e localmente de maneira a permitir maior transparência e efetividade das ações governamentais direcionadas à Atenção Básica em Saúde (BRASIL, 2017, p.08).

A autoavaliação é o ponto inicial para um planejamento eficaz, com a identificação e reconhecimento dos problemas e interação dos atores sociais é possível identificar as potencialidades e fragilidades das equipes, estimulando o coletivo a analisar seu processo de trabalho, elencar as prioridades para atuação, elaborar estratégias para superação dos problemas e alcance de metas e objetivos norteando permanentemente a tomada de decisões.

Em junho de 2017, a equipe ESF-Pedra Branca realizou a primeira Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade de Atenção Básica – AMAQ. Em janeiro de 2018 a equipe realizou uma reunião para controle, monitoramento e avaliação dos indicadores de saúde, dos problemas elencados prioritários por meio da AMAQ e das ações propostas nas matrizes de intervenções.

Os processos de planejamento construídos de forma democrática e pactuados entre os atores implicados (gestores, coordenadores, equipes/profissionais e usuários) são mais efetivos, pois possuem maior alinhamento com as necessidades e as realidades locais. Favorecem também a maior comunicação entre os atores, com o aumento da capacidade gerencial de tomada de decisões e construção de consciência coletiva e responsabilização dos envolvidos (MATUS, 2000).

No município de Pedra Branca temos reuniões semanais da equipe, reuniões mensais com a coordenação de atenção básica, diretores das Unidades Básicas de Saúde e todos os integrantes das equipes de Estratégia Saúde da Família -ESF e Núcleo Ampliado de Saúde da Família – NASF. Esta última ocorre sempre na segunda sexta-feira do mês, onde temos a oportunidade de discutir nossos indicadores de saúde, rever e repensar nossos processos de trabalho e traçar novas intervenções de saúde de forma integrada gestores e profissionais de saúde.

O diagnóstico situacional da UBS nos oportunizou analisar as condições de acesso e de qualidade da equipe, desde a infraestrutura, equipamentos, insumos, imunobiológicos, medicamentos disponíveis até processos de trabalho, de modo a nos permitir avaliar o grau de adequação de nossas práticas ao padrão de qualidade definido pelo Ministério da Saúde.

Ao longo do preenchimento da Avaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica – AMAQ uma das deficiências que chamou atenção da equipe foi o baixo atendimento da equipe às puérperas e recém-nascidos na primeira semana de vida, o qual foi avaliado pela equipe com nota inferior a 5. A assistência pré-natal dentro do município já obteve melhoras significativas, porém no quesito consulta puerperal vem enfrentando dificuldades na garantia da assistência no tempo hábil.  Diante, desta constatação, a equipe sentiu a necessidade de elaborar uma matriz de intervenção voltada para esta problemática.

Segundo a matriz de intervenção elaborada, diante a descrição do padrão relacionado ao atendimento realizado pela equipe para a puérpera e o recém-nascido na primeira semana de vida, constatamos como situação-problema que a equipe não realiza atendimento à puérpera e récem-nascido de sua área de abrangência no tempo hábil (7 dias), portanto elegemos  como objetivo/meta realizar consulta puerperal até o 7 dia de vida à puerpera e RN.

Mediante ao levantamento da situação-problema e definição de meta, a equipe necessitou elencar estratégias para alcançar a meta proposta, dentre elas: realizar levantamento das gestantes/puérperas da área de abrangência e realizar consulta puerperal (ambulatorial/domiciliar) até 7 dias após o parto às puérperas e récem-nascidos.

Dentre as atividades a serem desenvolvidas para alcance da meta proposta podemos citar: planilha de monitoramento das gestantes com as principais informações relevantes ao pré-natal, busca ativa das puérperas após o parto, conforme planilha de monitoramento das gestantes por microárea (ACS) ; educação em saúde sobre a importância da consulta puerperal durante o acompanhamento do pré-natal (ESF/NASF); pré-agendamento da consulta puerperal próximo ao parto, consulta puerperal na UBS, busca ativa das púerperas faltosas e atendimento domiciliar à puérpera e RN  até 7 dias após o parto.

Outro ponto importante levantado foi referente aos recursos necessários para o desenvolvimento das ações propostas. A equipe se preocupou em propor ações, as quais  possuíam plena governabilidade, ou seja, ações focadas basicamente em melhorias no processo de trabalho, onde basicamente o recurso necessário é humano e os materiais já os disponíveis na UBS.

É válido ressaltar a importância do trabalho em equipe durante esse processo, pois todos os integrantes precisam se enxergar como responsáveis ativos dentro deste cenário, reconhecendo nossas fragilidades e potencialidades, no intuito de propor ações factíveis de serem alcançadas.

Este processo perpassa por várias etapas, dentre elas: definição de estratégias, atividades, recursos necessários, resultados esperados,responsáveis, definição de prazo e indicadores para avaliação dos resultados esperados. É de grande importância a utilização de metodologias ativas nas ações de educação em saúde, um acolhimento adequado e propor ações que aumentem o vínculo da gestante/puérpera com o serviço de saúde.

Definir prazo, pode ser uma tarefa que gera bastante divergência, no entanto a discussão em grupo é fortalecida quando se constrói coletivamente e pactuasse o que  é  consenso de todos. Este quesito após a definição de estratégias e atividades foi a que gerou mais discussão no grupo, uma vez que uns delimitavam um curto intervalo de tempo, enquanto outros requeriam pactuar um prazo mais longo para o alcance das ações propostas.

A planilha de monitoramento das gestantes foi adaptada do relatório mensal da equipe já existente, no intuito de contemplar informações mais precisas necessárias para oportunizar uma assistência adequada e em tempo hábil à puérpera e recém-nascido na primeira semana de vida, a qual contribui para a detecção precoce de problemas de saúde e prescrição de cuidados, bem como para a implementação de ações interventivas para melhoria da qualidade do atendimento prestado a essa clientela,fortalecendo a assistência para redução da morbi- mortalidade infantil e de riscos de complicações pós-parto.     

            É imprescindível entender a importância de ter um território adscrito e de responsabilidade sanitária sobre ele, possibilitar acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade e resolutivos, adscrever os usuários e desenvolver relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população adscrita, efetivar a integralidade em seus vários aspectos e estimular a participação dos usuários como forma de ampliar a capacidade na construção do cuidado à sua saúde e das pessoas e coletividades do território.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ): Manual Instrutivo para as Equipes de Atenção Básica e NASF – 3º Ciclo (2015-2017). Brasília: 2017. 

MATUS, C. O lídersem Estado-Maior. São Paulo: Editora FUNDAP,2000.

                                                                                                                                                  ANEXO 1

                                                                                                                                             ANEXO 2

                                                                                                                                                 ANEXO 3

 

 

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