24 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

TITULO: Aperfeiçoamento do acolhimento na minha unidade.

ESPECIALIZANDO: Yelena Tabio Suárez

ORIENTADOR: Tulio Felipe Vieira de Mel

 

            Trabalho na ESF 4ª Equipe, zona urbana do município de Vera Cruz/RN. Temos uma área muito extensa com uma população de aproximadamente 2900 habitantes, o que proporciona uma alta demanda espontânea somado á demanda de pacientes de equipes vezinhas. Fato esse que em algumas ocasiões cria dificuldades no primeiro contato entre o paciente e a unidade, já que não é segredo que as vezes é impossível satisfazer a demanda de atendimento. A implantação do acolhimento da demanda espontânea provoca mudanças nos modos de organização das equipes e nas relações entre os trabalhadores. Nossa equipe vem trabalhando cada dia para aumentar a resolutividade e melhorar o acesso na Atenção Primaria a Saúde, e o acolhimento é uma das principais armas nesta luta pela qualidade da atenção básica.

            Nesta microintervenção vou direcionar o tema ao aperfeiçoamento da equipe para implantar o acolhimento e o estudo do perfil da demanda espontânea e programada da minha área. Processo que tem o objetivo de diminuir o número de agendamentos, ofertando atendimento ao paciente no mesmo dia ou no máximo em até 48 horas.

            É necessário ressaltar que mesmo que atenção básica não seja capaz sanar todos os problemas de saúde da população, ela pode resolver grande parte de suas necessidades. Para isso se faz necessário que se tenha, ou que se implementem, dispositivos capazes de identificar e compreender as mais variadas demandas de saúde e com isso intervir nessas situações de forma resolutiva e abrangente. No entanto, para que isso ocorra, a atenção básica deve ofertar uma gama de serviços que a ajude a lidar com a complexidade de sofrimentos, patologias, demandas e necessidades de saúde às quais as equipes estão constantemente expostas. Neste contexto, o acolhimento à demanda espontânea é um dos temas que se apresentam com alta relevância e centralidade (BRASIL, 2013).

 

            O cuidado à demanda espontânea na Atenção Básica deve ser baseado nos princípios do acolhimento e da escuta qualificada à população, aliado à gestão local reflexiva e às boas práticas de atenção, de forma a garantir um atendimento humanizado, resolutivo e que propicie a criação de vínculo entre as equipes de atenção básica e as pessoas, legitimando este ponto como a porta de entrada prioritária e preferencial para as redes de atenção à saúde do SUS (BRASIL, 2013).

            É difícil satisfazer a demanda espontânea adequadamente, e ao mesmo tempo, não prejudicar o atendimento programado e não sobrecarregar os profissionais. Para a maioria deles a chegada á unidade é um momento de tensão, já que é rotina a fila de usuários desde a madrugada para pegar uma senha de atendimento; que nem todas as vezes consegue.                 

           Dada à necessidade de mudar essa realidade decidimos reunir nossa equipe para definir estratégias para o aperfeiçoamento do acolhimento, primeiro contato que requer uma escuta qualificada para garantir um acesso oportuno. Refletimos a organização nas agendas dos profissionais, onde a maior porcentagem era de consultas agendadas, deixando menor oportunidade á demandas espontâneas. Tendo em conta a proposta do acesso avançado, decidimos incrementar o número de atendimentos para demanda espontânea, programando 2 dias só para atendimento livre e 40% das senhas no resto dos dias de atendimento. Neste encontro foi ressaltada a importância da capacitação de todos os profissionais da equipe, sobre os critérios de avaliação para a inclusão do paciente no atendimento do dia e o agendamento para aqueles casos não urgentes que poderiam aguardar. Determinou-se que a responsável do acolhimento fosse a enfermeira, e os dias de atendimento livre participaria a médica até determinada hora para assim avaliar e decidir rapidamente, organizando a disposição dos pacientes no serviço e garantindo o fluxo segundo a necessidade de cada um.

            Também discutimos com os ACS os critérios para evitar o agendamento de visitas domiciliares desnecessárias. Pois muitas vezes são marcados pacientes que podem acessar á unidade sem dificuldades, tempo que reduz a permanência do médico na consulta.

            A adesão do acesso avançado apresentou dificuldades iniciais como desconhecimento de recursos elementares para implementar o processo pelos trabalhadores da equipe e população;  falta de compreensão dos pacientes em quanto ao agendamento das consulta pela necessidade real de suas condições de saúde e não por um ordem de chegada, em ocasiões criando insatisfação naqueles casos a ser agendados. Fato que mostrou a equipe que ainda temos muitas ações a realizar, que o aperfeiçoamento do acolhimento para o acesso avançado requer de continuas mudanças. Sendo necessária a assistência dos pacientes a palestras e encontros de interação para melhor entendimento deste processo.

            Diante o desenvolvimento da atividade comprovamos uma vez mais que o trabalho em equipe torna a equipe mais funcional, sendo mais efetivos e eficazes. Outra das vantagens foi que dar resposta quando o usuário precisa, fortalece o vinculo entre a equipe e população e potencializa ações de prevenção de saúde, já que o paciente recebeu uma resposta no momento oportuno.Com nossas mudanças esperamos reconhecer riscos e vulnerabilidades e realizar/acionar intervenções para ampliar o nível de resolutividade da equipe.

 

Referência

Brasil.Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Acolhimento à demanda espontânea: queixas mais comuns na Atenção Básica / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 1. ed.; 1. reimp. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013.290 p. : il. – (Cadernos de Atenção Básica n. 28, Volume II)

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