TÍTULO III: Planejamento Familiar, atenção prenatal e ao puerperio.
ESPECIALIZANDO: CARLOS TEJEDA CLEMENTE
ORIENTADOR: CLEYTON CESAR SOUTO SILVA
O Planejamento Familiar é considerado “um conjunto de ações em que são oferecidos todos os recursos, tanto para auxiliar a ter filhos, ou seja, recursos para a concepção, quanto para prevenir uma gravidez indesejada, ou seja, recursos para a anticoncepção, os quais devem ser cientificamente aceitos e não colocar em risco a vida e a saúde das pessoas, com garantia da liberdade de escolha” (BRASIL, 2006).
O Estado Brasileiro, desde 1998, possui medidas que auxiliam no planejamento, como a distribuição gratuita de métodos anticoncepcionais. Já em 2007, foi criada a Política Nacional de Planejamento Familiar, que incluiu a distribuição de camisinhas, e a venda de anticoncepcionais, além de expandir as ações educativas sobre a saúde sexual e a saúde reprodutiva. Em 2009, o Ministério da Saúde reforçou a política de planejamento e ampliou o acesso aos métodos contraceptivos, disponibilizando mais de oito tipos de preventivos em postos de saúde e hospitais públicos (CARVALHO 2000).
A Atenção Primária à Saúde (APS) é considerada como a estratégia mais efetiva para porta de entrada de usuários na rede e na universalização do acesso à saúde, cujos objetivos são a integralidade, a centralização na família, a coordenação e continuidade do cuidado (longitudinalidade), a orientação comunitária e a consequente resolubilidade desejada em face dos principais problemas apresentados pela população (BRASIL 2009).
A atenção à saúde da mulher em período pré-concepcional, pré-natal e puerperal implica compreender o processo saúde-doença sob uma nova ótica. É preciso compreender a pessoa na sua integralidade, singularidade e multidimensionalidade, considerar o ambiente em que ela está inserida e valorizar as suas diferenças, identidades, crenças e demandas, o cuidado deve centrar-se no ser humano e no respeito à integridade e dignidade do outro, além de fomentar redes de cooperação entre os serviços de saúde e destes com outros setores da sociedade (ZAMPIERI, 2006).
A assistência pré-natal deve ser organizada para atender às reais necessidades das gestantes, dispondo de profissionais com conhecimentos técnico-científicos, de meios e recursos adequados e disponíveis. As ações de saúde devem estar voltadas à cobertura de toda a população-alvo da área de abrangência da unidade de saúde, assegurando continuidade no atendimento, acompanhamento e avaliação das ações sobre a saúde materno-perinatal (AlVIM DAB 2007).
Na UBS Wender Rodrigues de Souza do município Porto Grande, a equipe de trabalho realizou uma atividade conjunta de avaliação das estratégias para o acolhimento e acompanhamento no pré-natal, puerpério e planejamento reprodutivo, utilizando o Programa de melhoria do Acesso e da Qualidades da Atenção Básica (PMQA) como ferramenta que reforça essa necessidade na Dimensão Educação Permanente, com o objetivo de prover aos membros da nossa equipe das ferramentas necessárias para a execução dos cuidados à saúde da mulher durante o Pré -natal, puerpério na perspectiva da integralidade, responsabilidades sanitárias e continuidade de atenção, bem como alertando da importância da participação dos esposos nesse processo todo.
Reflexões sobre as Estratégias realizadas pela equipe para desempenhar esta ação programática no acolhimento e acompanhamento do Planejamento Reprodutivo.
A UBS como equipe de trabalho PSF tem a responsabilidade de desenvolver ações educativas, preventivas e assistenciais que garantem atendimento integral para a concepção e contracepção, tanto para a mulher quanto para o homem. Ajudando-os na tomada de descisões, abordando a decisão de ter filhos ou não, tendo em conta seus projetos de vida, respeitando os aspectos religiosos e culturais .
Nesse sentido a nossa equipe promove ações educativas individuais, ao casal e em grupo, como a prescrição de ácido fólico preconcebidamente, para evitar a aparição de malformações congenitas no feto, orientação sobre pevenção de infecções sexualmente transmissíveis, realiza palestras educativas sobre saúde reprodutiva e a importancia do ambiente familiar para o desenvolvimento adecuado da gestante.
Alem disso oferece de graça os metodos contraceptivos básicos para ambos os sexos, encaminhamento para realização de laqueadura naqueles casos que satisfizeram a maternidade, anticoncepção de emergência e conselho para escolha do método certo, tendo em conta as individualidades de cada casal e acompanhamento com reavaliação periódica do suceso e aceitabilidade por eles.
A nossa equipe realiza e participa das acções educativas e preventivas relacionadas com a transmissibilidade de doenças como HIV, sífilis, e hepatite virais, oferecendo a possibilidade de diagnostico mediante test rápido na UBS mesma. Nestos casos fazemos também notificação e encaminhamento para tratamento em unidade de referência bem como acompanhamento permanente dos pacientes e os seus contatos.
Os grupos de pessoas nas diferentes fases da vida, como os idosos, jovens e as gestantes, são envolvidos em ações de saúde reprodutiva com o objetivo de tratar qualquer tópico que seja do seu interese, estimulando a corresponsabilidades nas questões relacionadas à prevenção da gravides indesejada, das doenças sexualmente transmissíveis e na criação dos filhos, bem como reconheçendo a importância de ter uma abordagem positivo da sexualidade na terceira idade estimulando que essa fase seja vivida de forma plena e saudável.
Reflexões sobre as Estratégias realizadas pela equipe a fim de desempenhar esta ação programáticas no acolhimento e acompanhamento Pré-natal e Puerpério.
O trabalho da nossa UBS está encaminhado para garantir a deteção e vinculação precoce das gestantes da nossa área, através dos agentes comunitários de saúde ou pela demanda espontânea das mulheres com atraso menstrual e com vida sexual ativa, com o objetivo de oferecer um acompanhamento adequado, de acordo com a classificação de risco, realizando un número certo de consultas com a qualidade requerida e seguindo protocolos estabelecidos pelo Ministerio da Saúde. As consultas são alternadas entre a UBS e as visitas programadas na casa das grávidas considerando todas as gestantes, inclusive aquelas cobertas por planos privados de saúde e em cada uma é realizado o preenchimento adequado no registro dos dados no prontuário e no cartão da gestante.
Na primeira consulta do prenatal são solicitados os exames complementares, que se repetem em cada trimestre. (Hemograma, Urina, Glicemia, Exame das Fezes, Tipagem sanguínea, VDRL, HIV, Sorología para hepatite B e Tooplasmose,). Também solicitamos teste de Coombs e test de tolerância oral á glicose (se indicado).
Toda gestante é orientada quanto á prevenção e controle de carências nutricionais como a anemia ferropriva, assim como nas consultas avalia situação nutricional da gestante, estimulando hábitos de vida saudáveis.
Nos casos em que o resultado do teste de doenças sexualmente transmissiveis é positivo realiza-se busca ativa da gestante e de seus parceiros sexuais para confirmação do diagnóstico e tratamento imediato, para que se reduza a transmissão vertical, com acompanhamento, aconselhamento e notificação no sistema de informação.
O atendimento da púerpera é realizado pela nossa equipe nos 7 dias depois do alta, no domicilio da paciente ou na UBS mesmo, onde é feito um exame geral incluindo (coloração das mucosas, mensuração de temperatura, pressão arterial, exame clinico de mamas, palpação abdominal , volume, cor e odor dos lóquios).
Nesta avaliação, uma serie de aspectos importantes é levada em conta para a puerpera e sua familia, como os cuidados a seguir com o bebê e a sua mãe principalmente nos primeiros 42 dias pós -parto, as vantagens do leitamento materno que deve ser exclusivo até os primeiros 6 meses da vida, a importância do vínculo e apoio familiar para o normal desenvolvimento do recém-nascido e a sua mae, a uitilização de métodos contraceptivos para garantir que uma próxima gravidez seja planejada, a importância das consultas de puericultura, entre outras.
Tendo em conta tudo o que foi exposto nas reflexões anteriores podemos dizer que nossa equipe realiza um trabalho adequado no acolhimento e acompanhamento no pré-natal, puerpério e planejamento reprodutivo, embora estejamos cientes de que ainda podemos fazer mais em quanto a mudanças de estilos de vida da nossa população. Mas no processo de interação contínua entre o PSF e a comunidade vamos nos fortalecendo e avançando para melhores resultados.
Açoes educativas em saúde com um grupo de Gestantes e Puérperas sobre o aleitamento materno.
A importância do aleitamento materno exclusivo para a preservação do bem-estar do binômio mãe e filho é consenso na literatura mundial. Neste sentido, estimular a amamentação exclusiva constitui-se como uma das principais ações realizadas pela nossa equipe de saúde e esta deve ocorrer desde o início do pré-natal até o puerpério.
O equipe PSF, por sua vez tem papel relevante no incentivo e na manutenção do aleitamento, ao realizar orientações e suportes para as gestantes e lactantes, para isso são necessários conhecimentos e habilidades no manejo das diversas fases da lactação. O aconselhamento no pré-natal assim como a orientação e ajuda no período de estabelecimento da amamentação. Nessa perspectiva, uma das ações educativas realizadas pela nossa equipe, no grupo de gestante e puérperas foi voltada para a prática do aleitamento materno.
O primeiro momento foi realizado na UBS com todas as gestantes e puérperas da área adscrita, com a presença de vários membros da equipe (o Doutor, a Enfermeira, a Nutricionista, as ACS), com uma apresentação de um relatorio baseado no Caderno de atenção básica “Promovendo o Aleitamento Materno” disponibilizado pelo Ministerio da Saúde, com intuito de explanar acerca da importância da amamentação para o binômio mãe-filho, enfatizando-se os benefícios do leite materno para ambos (além de ser ideal por seu valor nutricional e imunobiológico para o recém-nascido, traz também benefícios para a mulher como, por exemplo, a redução do sangramento pós-parto, diminuição da ocorrência de anemias e redução dos índices de câncer de ovário e mama).
Posteriormente foram realizados questionamentos sobre a temática, incentivando a participação das mulheres presentes a responderem o que as mesmas sabiam sobre o aleitamento materno e suas possíveis dúvidas.
Dentre os motivos referidos pelas participantes do grupo está à necessidade de retomar ao trabalho, quantidade insuficiente de leite nas mamas, fissuras nas mamas, falta de paciência e condições socioeconômicas desfavoráveis, além das crenças populares de que o leite é fraco e não tem o suficiente para alimentar a criança e que a amamentação faz os seios caírem.
Depois de perceber a carência das informações durante a roda de conversa, foi possível sanar todos os mitos, tabus e dúvidas das gestantes e puérperas. Aproveitando o momento, para reforçar a importância da amamentação para a mãe e o bebê, enfatizando os benefícios do leite materno, e como deveria ser realizada a prática correta da amamentação, onde cada gestante demostrou ao grupo como ela amamentaria. Dessa forma, a equipe pode visualizar os possíveis erros e assim orientar melhor sobre o posicionamento do bebê e a pega correta. Também, percebe-se que a falta de conhecimentos, ou ainda informações errôneas são fatores decisivos para que as mulheres mais carentes decidam não amamentar, ou ainda abandonar precocemente esta prática.
Nesta atividade o que mais gostou aos profissionais da equipe foi que as gestantes mostraram-se bem receptivas e participativas, além de que não se opuseram a fazer mudanças no aleitamento materno e também percebemos que todas as grávidas haviam participado, seja para tirar dúvidas ou compartindo experiências. Isso foi um incentivo para realizar reuniões posteriores nas quais estiveram presentes os seus esposos ou parceiros é que as atividades desenvolvidas devem retratar temas comuns na vivência diária do grupo para que a equipe de saúde funcione de maneira prática e sirva de aprendizado, para contribuir com uma promoção da saúde materna e infantil.
REFERENCIAS:
BRASIL. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Direitos sexuais, reprodutivos e métodos anticoncepcionais. Brasília – DF: [S.n.], 2006.
CARVALHO, Marta Lúcia O.; PIROTTA, Katia Cibelle Machado; SCHOR Neia. Apoio: a forma predominante de participação masculina na regulação da fecundidade do casal. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 9, n. 1-2, jan./dez. 2000.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde na escola / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
ZAMPIERI, M. F. M Cuidado humanizado en el prenatal: una mirada más allá de las divergencias y convergencias. Florianópolis, UFSC, 2006.
AlVIM DAB, BASSOTO TRP, MARQUES GM. Sistematização as assistência de enfermagem à gestante de baixo risco. Rev. Meio Amb. Saúde. 2007;2(1):258-72.
GUSSO, G.; LOPES, J.M.C. Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed, 2012. 21.
MANDU, E.N.T. Trajetoria assistencial no ámbito da saúde reprodutiva e sexual-Brasil século XX. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto v. 10. n. 3. P.358-71. Maio/junho 2002.
DOS PASSOS RAMOS; Sergio. Encontro locoregional de Obstetricia e ginecologìa. CRM 17.178 – SP. 2013.
Ponto(s)