13 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

TÍTULO: PRIMEIRA ATIVIDADE EDUCATIVA COM GRUPO DE GESTANTES EM UMA UBS DE MACAPÁ-AP

ESPECIALIZANDO: JOSE VICENTE DA SILVA MARQUES JUNIOR

ORIENTADOR: CLEYTON CÉZAR SOUTO SILVA

            A saúde reprodutiva implica, por conseguin­te, que a pessoa possa ter uma vida sexual segura e satisfatória, tendo autonomia para se reproduzir e a liberdade de decidir sobre quando e quantas vezes deve fazê-lo. Implícito nes­sa última condição, está o direito de homens e mulheres de serem informados e de terem acesso a métodos eficientes, seguros, permissíveis e aceitáveis de planejamento familiar de sua escolha, assim como outros métodos de regulação da fecundidade, de sua escolha, que não sejam contrários à lei, e o direito de acesso a serviços apropriados de saúde que deem à mulher condições de atravessar, com segurança, a gestação e o parto e proporcio­nem aos casais a melhor chance de ter um filho sadio (NACIONES UNIDAS, 1995).

            Lembrando que a execução de forma eficaz inicia com o aconselhamento que é um diálogo baseado em uma relação de confiança entre o profissional de saúde e o indivíduo ou casal, que visa a proporcionar à pessoa condições para que avalie suas próprias vulnerabilidades, tome decisões sobre ter ou não filhos e sobre os recursos a serem utilizados para concretizar suas escolhas, considerando o que seja mais adequado à sua realidade e à prática do sexo seguro (BRASIL, 2013, p. 61).

            O Ministério da Saúde ainda discorre que essa prática pressupõe:

            Acolhimento do usuário ou do casal, com escuta ativa de suas necessidades, dúvidas e preocupações com relação ao planejamento reprodutivo, direitos sexuais e prevenção de infeções sexualmente transmissíveis (IST/HIV/AIDS).

            Nesse processo, o profissional de saúde deve demonstrar habilidade em reconhe­cer na pessoa ou no casal o desejo ou não de ter filhos, em permitir que discutam abertamente sobre sua atividade sexual, reconhecendo a vulnerabilidade relacio­nada à Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e em se colocar à disposição para orientar sobre métodos contracep­tivos, ou para orientação pré-concepcional, lembrando que a lei do planejamento reprodutivo garante direitos iguais para homens e mulheres (BRASIL, 2013).

            Já na parte de acompanhamento de gestantes de baixo risco é imprescindível para melhor atuação da Estratégia de Saúde da Família e está presente em seu escopo de ação. As rotinas estabele­cidas nas unidades de saúde devem respeitar as peculiaridades locorregionais. É primordial buscar atender às necessidades das mulheres nesse momento de suas vidas e favorecer uma relação ética entre as usuárias e os profissionais de saúde.

            O Ministério da Saúde (2012) assegura que o atendimento ou acompanhamento do pré-natal rea­lizado nas unidades de saúde da família implica em infinitas possibilidades de ações que fomentem assistência de qualidade e atenção humanizada à mulher e familiares, dando destaque para algumas das ações primordiais:

            • Acolhimento;

            • Consultas e exames adequados; 

            • Identificação, monitoramento e acompanhamento de fatores de risco;

            • Imunização;

            • Atividades de educação em saúde;

            • Visita domiciliar;

            • Preparo para parto e nascimento humanizado.

            Conforme primeiro capítulo desse trabalho na UBS Marcelo Candia, as gestantes não eram acompanhadas conforme estabelecido pelo Ministério da Saúde. Não havia um determinado tempo nas consultas médicas e de enfermagem para se dedicar exclusivamente ao Pré-Natal. Sendo assim foi criado a Matriz de Intervenção para visualização do problema de forma integral e objetivar mudanças para uma assistência de qualidade.

            Para esse módulo da Especialização em Saúde da Família, optou-se por realizar uma atividade educativa com as gestantes da área.

            Houve a elaboração do convite para o encontro distribuídos nas dependências da Unidade de Saúde, além de cartazes fixados nas paredes, e também o convite direto durante as consultas do Pré Natal, pelo médico e pelo enfermeiro da equipe.

            A ação iniciou as 09:00 horas da manhã de uma quarta feira e teve a participação do médico, enfermeiro, 2 técnicas em enfermagem, e 2 agentes de saúde. Foi realizado uma roda com as 5 gestantes que estavam presentes, abordando os temas relacionados ao Pré Natal: consultas, exames laboratoriais, exames de imagem, alterações do corpo materno, preparo para o aleitamento materno e intercorrências comuns durante a gestação.

            Nos aspectos positivos, foi importante a realização da ação para conhecer um pouco mais de cada gestante, o envolvimento dos profissionais que participaram, e a função de educador que o profissional de saúde tem, dentro da comunidade.

            Já sobre os aspectos negativos, não houve o comprometimento de toda a equipe, a adesão das grávidas foi relativamente baixa, de 32 gestantes, apenas 5 compareceram. Em Macapá não existe a cultura de promoção de saúde, e basicamente a medicina curativista predomina, fazendo com que a atenção primária em saúde perca um dos seus eixos para funcionamento resolutivo dentro da área adscrita.

            Baseado nos problemas acimas, torna-se importante o oferecimento de grupos para gestantes, em dias e horários que facilitem a participação, tanto das gestantes como de seus acompanhantes para aumentar a adesão à atividade educativa. Como nunca houve uma reunião desse tipo dentro da UBS, faz necessário continuar reforçando os princípios da Atenção Primária, junto aos profissionais da equipe e para os pacientes, tornando o hábito como rotina, quebrando paradigmas culturais onde as gestantes não buscam realizar o Pré Natal de forma adequada na cidade de Macapá.

 

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 320p. (Cadernos de Atenção Básica, 32).

 

 

 

______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 300 p. (Cadernos de Atenção Básica).

 

 

 

NACIONES UNIDAS. Informe de la Conferencia Internacional sobre la Población y el Desarrollo: el Cairo, 5 a 13 de septiembre de 1994. Nueva York: Naciones Unidas, 1995.

 

 

 

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading...
Ponto(s)