13 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA: UMA DISCUSSÃO ENTRE ADOLESCENTES, JOVENS E ADULTOS

Especializanda: CAROLLYNE DANTAS DE OLIVEIRA

Orientador: Isaac Alencar Pinto

 

            A saúde sexual e reprodutiva é uma das áreas de priorização da Atenção Básica à saúde, e deve ser oferecida a todos os indivíduos independentemente da idade, sexo, gênero e orientações sexuais; além disso deve-se basear nos direitos sexuais e reprodutivos que cada pessoa possui (BRASIL, 2013). 

            A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu no ano 2000 algumas metas a serem cumpridas e que estão diretamente relacionadas com este tópico, e incluem: a melhoria da saúde materna, o combate ao HIV/AIDS e outras doenças, redução da mortalidade infantil, a promoção da igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres. Além disso, no Brasil, o Pacto pela Saúde em 2006 envolveu algumas das metas propostas pela ONU, incluindo também outros pontos como o controle do câncer de mama e colo de útero (BRASIL, 2013; CORREA, 2016). 

            A saúde reprodutiva significa o indivíduo ter uma vida sexual satisfatória e segura, apresentando a capacidade de se reproduzir e a liberdade de escolher sobre o momento correto e quantas vezes fazê-lo. Junto a isso vem o direito dos indíviduos em receberem informações e terem acesso aos diversos métodos seguros, aceitáveis e efetivos de planejamento familiar; bem como o acesso a serviços adequados de saúde que propiciem às mulheres uma gestação e parto seguros, oferecendo ao casal uma melhor oportunidade de ter uma criança saudável (BRASIL, 2013; CORREA, 2016; ÁVILA, 2003). 

           A saúde sexual é um componente da saúde reprodutiva que permite os indivíduos experimentarem uma vida sexual segura, agradável e informada, e compreende: a capacidade de homens e mulheres usufruir e expressar sua sexualidade sem risco de gestações não desejadas, infecções sexualmente transmissíveis, discriminação, violência e coerção. Nesse sentido, espera-se que as pessoas apresentem um desenvolvimento sexual saudável e construam relacionamentos responsáveis e equitativos com prazer sexual, sem práticas de risco relacionadas com a sexualidade; implicando assim num enfoque positivo da sexualidade humana e no respeito recíproco nas relações sexuais (ÁVILA, 2003; BRASIL, 2013; CORREA, 2016). 

            Diante disso o governo criou vários programas para atender essa área de atuação da Atenção Básica, entre eles está o Programa Saúde na Escola (PSE), uma política estabelecida através da parceria entre o Ministérios da Saúde (MS) e o Ministério da Educação (MEC), e voltado principalmente para os jovens e adolescentes da rede pública de ensino, buscando não somente avaliar as condições de saúde desses indivíduos, como também a promoção de práticas corporais saudáveis, atividades físicas, educação em saúde reprodutiva e sexualidade, a prevenção de ISTs, a prevenção de uma gravidez não planejada e diversos outros pontos (BRASIL, 2013). 

            Assim foi pensado uma intervenção na Escola Estadual Aldo Fernandes de Melo, localizada na Zona Norte do município de Natal, próximo a USF Gramoré, que  teve como objetivo orientar os alunos a respeito da saúde sexual e reprodutiva do indivíduo. A ação foi desenvolvida conjuntamente por duas equipes de saúde dessa USF, englobando diversos profissionais entre eles: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e estudantes de enfermagem, e foi realizada no final do mês de maio.

            A ação envolveu uma população bastante heterogênea de estudantes, com adolescentes, jovens e adultos envolvidos. E foi um momento bastante enriquecedor tanto para os ouvintes como para os profissionais que estavam desenvolvendo a intervenção. Inicialmente houve uma apresentação em PowerPoint (Figura 1 e 2) para esclarecer e discutir os seguintes temas:

        • Infecções sexualmente transmissíveis: HIV/AIDS, hepatites virais B e C, HPV e gonorreia
        • Vacinas: HPV e hepatite B
        • Métodos contraceptivos
        • Câncer de colo do útero e câncer de mama

Figura 1: Palestra sobre saúde sexual e reprodutiva com os alunos.

Figura 1: Palestra sobre saúde sexual e reprodutiva com os alunos.

 

Figura 2: Palestra sobre saúde sexual e reprodutiva com os alunos.

Figura 2: Palestra sobre saúde sexual e reprodutiva com os alunos.

 

            Ao longo da explanação foram sendo esclarecidas dúvidas ressaltadas pelos ouvintes. E ao final da apresentação foi aberto um momento para que perguntas e novas dúvidas pudessem ser respondidas, discutidas e esclarecidas. Foi possível avaliar que muitos dos assuntos transmitidos não eram de conhecimento dos estudantes, ou quando eram apresentavam algumas dúvidas e dificuldades a respeito do assunto, principalmente se tratando dos métodos contraceptivos e da enorme quantidade de artifícios disponíveis. 

           Durante a apresentação foram utilizados materiais que se encontravam disponíveis na unidade, para a explicação dos órgãos reprodutores feminino e masculino, como também alguns exemplares de métodos contraceptivos. As pessoas passaram a perceber a importância de conhecer tais assuntos, de se autoconhecer, e de prevenir e promover a saúde não só para si, mas também para o companheiro e para os outros. 

           Ao final da roda de discussão, e com todas as dúvidas, que foram levantadas e esclarecidas, foi realizado o último momento da intervenção onde testes rápidos para HIV e sífilis (disponíveis na USF) foram aplicados nos alunos (Figura 3). De todos os alunos, quatro apresentaram teste rápido para sífilis positivo, e assim foram referenciados para suas respectivas equipes de saúde para consulta médica, e realização de teste confirmatório. 

Figura 3: Momento de realização dos testes rápidos de HIV e sífilis com os estudantes.

Figura 3: Momento de realização dos testes rápidos de HIV e sífilis com os estudantes.

 

Referências:

1. BRASIL. Caderno de Atenção Básica: Saúde Sexual e Reprodutiva. Brasília, v. I, n. 26. 2013.

2. BRASIL. O SUS e saúde sexual e reprodutiva de adolescentes e jovens no Brasil. Brasília. 2013. 

3. Correa, S. et al. Direitos e saúde sexual e reprodutiva: marco teórico – conceitual e sistema de indicadores. Rio de Janeiro: ABEP. p. 14 – 26. 2006

4. Ávila, M.B. Direitos sexuais e reprodutivos: desafios para as políticas de saúde. Rio de Janeiro. Cad. Saúde Pública. v. 19 (sup. 2). p. 465 – 469. 2003.

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