13 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

 

TÍTULO: ESTRATÉGIAS EDUCATIVAS PARA DIMINUIR AS COMPLICAÇÕES E FATORES DE RISCO NOS PACIENTES HIPERTENSOS E DIABÉTICOS NA UBS RAIMUNDO GOOD LIMA, EM ESTÂNCIA(SE).

 

ESPECIALIZANDO: NEIRIS MONTES DE OCA REYES

 

ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO

 

 

 

Meu nome é Neiris Montes de Oca Reyes. Sou médica cubana integrante do projeto Mais Médicos para o Brasil, trabalho no estado Sergipe, no município Estância que conta uma população total de 68 846 habitantes. A cidade é conhecida como o jardim de Sergipe, sendo também conhecida por seus sobrados azulejados, as suas tradicionais festas juninas e o barco de fogo.

Tenho onze meses trabalhando na Unidade Básica de Saúde Dr Raimundo Good Lima tipo 2, localizada na zona urbana. Minha população é de aproximadamente 4200 pessoas .A equipe de saúde está composta por uma enfermeira especialista em medicina familiar, um cirurgião-dentista, uma técnica em saúde bucal, seis agentes comunitários de saúde, uma auxiliar de enfermagen e uma doutora especialista em Medicina Geral integral. Além disso  tem uma sala de vaçina e uma consulta de psicologia.

O AMAQ como ferramenta de autoavaliação é uma alternativa muito útil porque nos permite avaliar com precisão o estado real de nossa unidade básica de saúde, nossas fraquezas e potencialidades. Eu decidi fazer minha microintervenção sobre o subdomínio que fala sobre a organização da atenção ao diabético, hipertenso com base na estratificação de risco, embora houvesse um acompanhamento contínuo na unidade, havia muitas coisas ainda para fazer, já que é um problema que está nos atingindo muito forte, sendo que alguns dos principais problemas de nossa população é o aumento na incidência e prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, hipertensão e diabetes sendo o principal fator de risco para complicações cardiovasculares (infarto agudo do miocárdio) e acidentes vasculares encefálicos. São doenças que além de afetar a minha comunidade têm um impacto negativo nas pessoas, afetam o mundo e estão atingindo muito o Brasil em geral, sendo uma das primeiras causas diretas e indiretas de morte no Brasil, e temos que reverter esse cenário.

Para iniciar este relatório, detalharei o passo a passo de tudo que foi vivenciado por mim e pela nossa equipe. Em um primeiro momento, fizemos uma autoavaliação de nossa unidade básica de saúde participando todos os membros da equipe usando o AMAQ como método de autoavaliação (autoavaliação para melhorar o acesso e a qualidade da atenção básica) nas subdimensão expostos, após um amplo debate e depois de ouvir cada um dos integrantes da equipe, encontramos várias fragilidades com escore menor de 5 .Construímos uma matriz de intervenção que nos permitiu traçar planos de ação de acordo com as prioridades para mudar esse cenário e conseguir um excelente atendimento.

O problema escolhido para fazer esta microintervenção com base nas subdivisões da amaq foi o j – subdimensão: educação permanente e qualificação dos equipamentos de atenção básica (os processos de reorganização da as demandam dois perfis profissionais um novo, novas habilidades e competições para se adaptarem). Trata das concepções e práticas de saúde que incluem: trabalho em equipe, interdisciplinaridade, compartilhamento de conhecimentos, capacidade de planejar, organizar e desenvolver ações voltadas para as necessidades da população. O padrão 4.29 relacionado com a organização e a atenção às pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade com base na estratificação de risco na atenção básica ele conseguiu uma pontuação de três. O objetivo geral foi a atualização dos registros dos pacientes com hipertensão e diabetes e realizar estratégias educativas para diminuir as complicações e fatores de risco.

Quanto as estratégias para alcançar as metas, fizemos a proposta de a criação de grupos específicos como hipertensão e diabetes na área. A gente desenvolveu várias atividades que foram: sensibilização da comunidade em geral na prevenção de HAS através de atividades educativas, levantamento e busca ativa de novos casos, práticas alternativas de prevenção e redução de fatores de risco e complicações crônicas, e controle e acompanhamento regular dos casos já cadastrados. Como recurso necessário para o desenvolvimento destas atividades utilizou-se: recursos áudio visuais (computador, cartões, folders, data show, microfone, caixa de som), equipe multiprofissional (além do ESF teremos: Nutricionista, Psicóloga, educadora física, Fisioterapeuta), balanças, fitas métrica, livros de agendamento de consulta.

 

Quadro 1: Matriz de Intervenção, 2018.

 

MATRIZ DE INTERVENÇÃO

Descrição do padrão: 4.29 A equipe de Atenção Básica organiza a atenção das pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade com base na estratificação de risco.

Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: A equipe não organiza atenção das pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade com base á estratificação de risco.

Objetivo/meta: Atualização dos registros dos pacientes com hipertensão e diabetes e realizar estratégias educativas para diminuir as complicações e fatores de risco.

Estratégias para alcançar os objetivos /metas

Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução)

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

Resultados esperados

Responsáveis

Prazos

Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elaboração de grupos específicos com hipertensão e diabetes na área

1-Sensibilização da comunidade em geral na prevenção de HAS e diabetes através de atividades educativas.

1-Recursos áudio visuais(computador,carteres,folderes,data show,microfone,caixa de som)

1-Diminuição da incidência de casos.

Equipe de saúde

Maio

 

 

 

 

 

 

 

Reuniões da equipe e discussão dos resultados alcançados;

Relatórios e produção E-SUS

2-Levantamento e busca ativa de casos novos.

2-Papel, caneta

2-Identificação dos hipertensos e diabéticos da área.

Acs

Enfermeira

Dra.

Junho

3-Práticas alternativas para a prevenção e diminuição de fatores de risco e complicações crônicas.

3-Equipe multiprofesional (além do ESF teremos: Nutricionista,Psicologa, ass social,educador físico,Fisioterapeuta)

3-Diminuição de fatores de risco e complicações crônicas.

Enfermeira

Dra

Julho

4-Controle do acompanhamento regular dos casos já cadastrados.

4-Balanças, Fitas métricas, livros de agendamento de consulta.

4-Assistência integral do paciente de acordo com o protocolo de atendimento do paciente diabético e hipertenso.

Equipe de saúde

Junho

Elaboração de grupos específicos com hipertensão e diabetes na área

Sensibilização da comunidade em geral na prevenção de HAS e diabetes através de atividades educativas.

Recursos áudio visuais(computador,carteres,folderes,data show,microfone,caixa de som)

Diminuição da incidência de casos.

Equipe de saúde

Maio

Reuniões da equipe e discussão dos resultados alcançados.

Relatórios e produção E-SUS

 

Fonte: AMAQ-AB, 2017.

 

 A microintervenção tem diferentes prazos de avaliação (maio,junho e julho) e será usado como instrumento de avaliação os relatórios do E-SUS Atenção Básica e a discussão sobre os resultados alcançados nas reuniões da equipe, conforme pode ser conferido na tabela da  matriz de intervenção.(quadro 1).

Tivemos como principais resultados: diminuição das incidências de casos, identificação de hipertensos e diabéticos na área, diminuição dos fatores de risco e complicações crônicas, assistência integral ao paciente segundo protocolo de atendimento ao paciente diabético e hipertenso.

Realizar essa microintervenção foi uma experiência maravilhosa, pois nos auxiliou na gestão, controle e organização de nossas atividades diárias como equipe de saúde, adquirimos conhecimentos sobre o tema abordado e nos permitiu continuar trabalhando com as práticas educativas grupais e individuais, que serviram para desenvolver as ações de promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos. Eu entendi melhor a importância do registro adequado em prontuários diminuindo o tempo dos atendimentos dos usuários, dando possibilidade de mais atendimentos do outros pacientes, maior controle das consultas realizadas e melhor sintetização dos problemas de saúde no registro. Nosso trabalho como equipe, após da auto avaliação e elaboração da matriz de intervenção, foi fortalecido.

 

 

Referências

 

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica: AMAQ. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 164p.

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