12 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

SEXUALIDADE E REPRODUÇÃO COM SAÚDE

 

ESPECIALIZANDO: DANAY DURAND ORTIZ

ORIENTADOR: ISAAC ALENCAR PINTO

 

Planejar nossa vida sempre é um processo difícil, muito mais a decisão de ter um filho, porque temos que ter consciência que a decisão muda a vida para sempre, enfrentar as dificuldades económicas, sociais e a falta de preparação são algumas das coisas que temos que valorar. O planejamento familiar visa definir o momento adequado para isso, quantos filhos o casal quer ter e qual o intervalo entre eles.

Em 2007 o Ministério da Saúde elaborou o Programa Mais Saúde: Direito de Todos, no qual uma das medidas propostas é a expansão das ações de planejamento familiar (BRASIL, 2012). A atenção em planejamento familiar implica não só a oferta de métodos e técnicas para a concepção e a anticoncepção, mas também a oferta de informações e acompanhamento, num contexto de escolha livre e informada (BRASIL, 2012).

Logo que o casal decide ter filhos, é muito importante para as futuras mamães começar a fazer o pré-natal assim que tiverem a gravidez confirmada. O objetivo do acompanhamento pré-natal é assegurar o desenvolvimento da gestação, permitindo o parto de um recém-nascido saudável, sem impacto para a saúde materna, inclusive abordando aspectos psicossociais e as atividades educativas e preventivas (BRASIL, 2013).

Posteriormente segue a atenção ao parto e o puerpério, neste ultimo a atenção primaria tem um papel fundamental. A atenção domiciliar ao binômio mãe–filho trata-se de uma estratégia que pode ser complementar ao projeto da Rede Cegonha, na medida em que mantém o vínculo materno–neonato em um período crítico, favorecendo o aleitamento materno e a vivência da maternidade (BRASIL, 2013).

No período puerperal o corpo da mulher passa por diversas modificações a fim de que a mesma possa cumprir o papel de alimentar e cuidar de seu bebê, nessa fase podem ocorrer complicações, as quais quando não são identificadas nem tomadas às devidas condutas tendem a resultar em morbidade e mortalidade.

 

Com base nas ideias anteriormente explicadas, foi planejada uma reunião com a equipe para refletir e discutir os aspetos principais do planejamento reprodutivo, o pré-natal e o puerpério e como são desenvolvidos por nós.

O primeiro ponto foi o planejamento familiar: de forma geral as ações educativas sobre a decisão de ter filhos são desenvolvidas principalmente com as mulheres no momento das consultas médicas, de enfermagem e no período do puerpério. A maioria das vezes a procura de métodos contraceptivos é feita pelo sexo feminino, e em nossa avaliação, todos concordaram que ainda falta muito por fazer nesse aspecto que crie uma cultura em relação ao processo reprodutivo tornando-o responsabilidade do casal.

De maneira semelhante, temos que trabalhar na identificação do risco das mulheres antes de engravidar para evitar complicações futuras, no momento que a mulher decida engravidar, mantendo a prescrição do uso do acido fólico com antecedência.

Na unidade oferecemos métodos contraceptivos básicos tais como anticoncepcional oral e injetável tanto mensal como trimestral, também fazemos entrega de preservativos masculinos e femininos nas consultas e nas atividades com a população, dentre outras, sempre explicando a importância da utilização destes últimos para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Não são discutidos especificamente conteúdos sobre diversidade sexual, porém sempre que nós falamos de sexualidade com saúde, se faz sem discriminação de gêneros, idade e sem prejuízos, transmitindo a mensagem de forma clara, sem tabus para todos por igual independentemente das preferências sexuais. Nesse sentido, objetivamos ressaltar a importância da prevenção de HIV/AIDS e outras doenças de transmissão sexual cheguem a todos os indivíduos da população, nos espaços abertos como, por exemplo, na recepção da unidade, rodoviárias e praias, dentre outros.

Toda doença de transmissão sexual diagnosticada é notificada e tratada segundo o protocolo vigente, o ano passado não tivemos incidência de pacientes novos com HIV porém foram diagnosticados com sífilis, HPV e blenorragia. Para prevenir doenças deste tipo e a gravidez não desejada por meio do uso de preservativo nas escolhas do município foram desenvolvidas palestras principalmente com os adolescentes e jovens o passado ano; um trabalho mais especifico é realizado com as gestantes em cada consulta pela repercussão destas doenças na gravidez.

 Outra das fragilidades que possuímos é que não se faz busca ativa das gestantes pelos agentes de saúde, nem das gestantes adolescentes, nem das que fazem pré-natal em serviço privado, ou seja: atualmente a atualização dos registros das gestantes se faz na unidade pela procura delas do pré-natal ou pela suspeita da gravidez.

Porém, logo da primeira visita delas na unidade são cadastradas no SIS pré-natal e feitos todos os procedimentos segundo o protocolo: o enfermeiro preenche adequadamente a caderneta da gestante, são solicitados todos os exames complementares recomendados e logo damos continuidade em cada consulta a atualização deste documento.

Nesta etapa, a falta de medicamentos como ácido fólico e sulfato ferroso em vários meses do ano e a falta de liberação de exames no tempo estabelecido para as gestantes são os problemas mais importantes, além de que não contamos com ginecologista no município. As gestantes que precisam ser consultadas com especialistas são encaminhadas ao serviço privado. Durante o pré-natal a gestante recebe orientações gerais em relação a levar uma alimentação balanceada, evitar hábitos tóxicos, cumprir horários de sono e o acompanhamento por meio das consultas.

Na metade da gravidez já começamos a falar sobre o parto, os sintomas, como identificar o trabalho de parto e o puerpério; a importância que tem o acompanhamento no puerpério para as gestantes com o fim de diminuir possíveis complicações, o acompanhamento do recém-nascido nos primeiros sete dias e a importância do aleitamento materno.

Apesar disso, todos estivemos de acordo que torna-se difícil conseguir que a puérpera faça o cartão SUS do recém-nascido nos primeiros sete dias de vida, assim como fazer a captação dela e do bebê, porquê surge uma serie de dificuldades nesta tarefa, como a falta de comunicação por parte dos parentes, a falta de transporte para fazer a visita domiciliar quando a gestante chega à área, falta de coordenação da equipe e realização de outras tarefas nesse mesmo período.

Por meio dessa análise a equipe espera aumentar o número de atendimentos em planejamento familiar, planejar a gravidez em mulheres com patologias crônicas descompensadas, diminuir o número de gestações não desejadas, com ênfases na adolescência, os abortamentos provocados, diminuir as complicações durante a gravidez e o parto e contribuir para a redução da morbimortalidade materna e infantil no puerpério.

Para alcançar os resultados anteriores foram planejadas as ações que seguem a continuação:

 

Estratégias para alcançar os objetivos-metas.

Atividades a serem desenvolvidas

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades.

Resultados esperados

Responsáveis

 

Prazos

Mecanismos

e indicadores para avaliar o  alcance dos resultados

 

 

 

 

 

 

 

Desenvolvimento de ações que permitam melhorar o planejamento familiar

Realização de palestras para divulgar a importância do casal no planejamento familiar.

Papel, impressora, tinta e panfletos, computador.

Participação ativa do casal na escolha dos métodos de planejamento familiar.

Equipe

1 mês

Aumento do número de casais nas consultas.

Identificação e realização de consultas às mulheres com patologias crônicas antes de engravidar.

Prontuário.

Diminuição ou compensação dos riscos identificados antes de engravidar

Agentes comunitários de saúde.

2 meses

Aumento do número atendimentos de mulheres patologias de risco antes de engravidar.

Desenvolvimento de ações que visam melhorar a consulta pré-natal

Realização de pesquisa ativa de gestantes na comunidade

Papel, caneta.

Inicio do pré-natal no primeiro trimestre.

Agentes comunitários de saúde.

Todo o ano

Aumento do número de captações gestantes de primeiro trimestre.

Realização de visitas domiciliares as gestantes mais preocupantes

Prontuário.

Diminuição ou compensação dos problemas de saúde identificados antes de engravidar

Equipe

Todo o ano

Número de gestantes avaliadas na visita domiciliar.

 

Explicar à gestão a importância do ginecologista, dos medicamentos e da realização dos exames complementares nas gestantes no tempo estabelecido.

Prontuário

Liberação dos exames complementares para as gestantes no tempo estabelecido e disponibilidade de medicamentos para elas na unidade.

Equipe, coordenação da unidade.

Todo o ano

Disponibilidade de medicamentos para gestantes na farmácia e numero de exames realizados no tempo estabelecido.

Desenvolvimento de ações que visam a captação da puérpera e o recém nascido na primeira semana de vida.

 Visita domiciliar a puérpera e o recém-nascido independentemente das tarefas na unidade

Prontuário.

 

Captação da puérpera e o recém-nascido na primeira semana de vida

Equipe

Todo o ano

Aumento do número de captações puérperas e recém-nascido na primeira semana de vida

Conscientizar as gestantes sobre a importância da captação da puérpera e do recém-nascido na primeira semana de vida

Prontuário.

Comunicação aos agentes comunitários sobre a chegada do recém-nascido à área e realização do cartão SUS do recém-nascido na primeira semana de vida.

Equipe

Todo o ano

Aumento do número de captações de puérperas e recém-nascido na primeira semana de vida com o cartão SUS.

Coordenação com a administração da unidade e agentes de saúde para lograr a visita domiciliar.

Prontuário, carro

Coesão de ações para realização da visita

Equipe e coordenação da unidade.

Todo o ano

Aumento do número de captações de puérperas e recém-nascido na primeira semana de vida

 

 

 

 

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Saúde sexual e saúde reprodutiva. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

 

BRASIL. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério da Saúde, 2012.

 

 BRASIL. Caderno de atenção domiciliar. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.

 

 

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