TÍTULO:APERFEIÇOAMENTO DA PUERICULTURA EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE NO NORDESTE DO BRASIL.
ESPECIALIZANDO:YAMILE IRINA SIERRA QUIALA.
ORIENTADOR: MARIA HELENA PÍRES ARAUJO BARBOSA.
A puericultura consiste no acompanhamento periódico de crianças de 0 a 10 anos de idade para avaliação de seu crescimento e desenvolvimento, vacinação, higiene individual, aleitamento materno e orientação alimentar no período do desmame, assim como a identificação precoce dos agravos, além das orientações aos pais e/ou cuidadores sobre a prevenção de acidentes. E para que seja efetiva, a puericultura demanda atuação de uma equipe multiprofissional que preste assistência a crianças e a sua família por meio de consultas de enfermagem, médicas, odontológicas e grupos educativos, no contexto da Atenção Básica.
Segundo o Ministério da Saúdeo acompanhamento do crescimento e desenvolvimento faz parte da avaliação integral à saúde da criança, sendo parte integrante da puericultura, a qual envolve a avaliação do peso, altura, desenvolvimento neuropsicomotor, vacinação e intercorrências, o estado nutricional, bem como orientações à mãe/família/cuidador sobre os cuidados com a criança (alimentação, higiene, vacinação, saúde bucal, aleitamento materno e estimulação) em todo atendimento, não deixando também de registrar todos os procedimentos no cartão da criança(BRASIL, 2012).
Toda a equipe de saúde deve estar preparada para esse acompanhamento, identificando crianças de risco, fazendo busca ativa de crianças faltosas ao calendário de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, detectando e abordando adequadamente as alterações na curva de peso e no desenvolvimento neuropsicomotor da criança. Esse seguimento prevê um calendário mínimo de consultas à criança propondo sete consultas no primeiro ano, e duas no segundo ano de vida.
Este trabalho trata-se de um relato de experiência sobre a implantação da consulta de puericultura e acompanhamento das crianças de 0 – 2 anos de idade em consultas de puericultura desenvolvidas em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do interior de um estado nordestino no Brasil.
A equipe da atenção básica em que atuo localiza-se no interior de Sergipe e é composta por 01 enfermeira, 01 médico clínico geral, 01 técnica de enfermagem e 8 Agente Comunitário de saúde (ACS). Ademais a equipe recebe suporte do Núcleo de Ampliado de Saúde da família e Atenção Básica (NASF – AB) formada por nutricionista, psicólogo, fonoaudiólogo, educador físico e terapeuta ocupacional. Essa equipe do NASF – AB está vinculada a 9 equipes, incluindo a equipe da UBS supracitada.
Para identificar os problemas pertinentes à UBS em questão, primeiramente fiz uma reunião com todos os membros da equipe. A autoavaliação geral da equipe utilizou a ferramenta Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ) para auxiliar a identificação dos problemas. Após isso decidimos abordar as situações problema: a equipe da Atenção Básica (AB) não acompanha 100 % das crianças da faixa etária de 0 a 2 anos de idade.
Este microintervenção tem como objetivo acompanhar 100% das crianças de 0 a 2 anos de idade. Para consegui-lo a equipe utilizou várias estratégias. A primeira foi identificar todas as crianças da faixa etária envolvidas em nosso problema, segundo os registros familiares feitos pelos ACS. Entretanto foi necessário fazer um registro por micro áreas atualizando todos os dados das crianças e os meses do ano que teriam que ser avaliadas. Posteriormente foi elaborado um cronograma para a enfermeira e a medica que continha um expediente exclusivo para puericultura, priorizando o agendamento das crianças de acordo com as seguintes faixas etárias: Recém-nascido (RN) até 15 dias; 1º; 2º; 4º; 6º; 9º; 12º; 18º; e 24º meses. O ACS foi designado como responsável por esta tarefa.
Em nossa UBS dispomos dos recursos necessários para realizar a consulta de puericultura de qualidade, uma vez que temos balanças pediátricas, fitas métricas cadernetas de acompanhamento das crianças, e recursos humanos com excelente preparação técnica. Sendo assim, realizar o acolhimento, abordar a importância do acolhimento e oferecer orientações gerais as mãe e crianças torna-se mais fácil.
Espero ter resultados positivos para a assistência às genitoras com a consulta de criança sã (puericultura) e realizar durante o primeiro ano de vida no mínimo 7 acompanhamentos, além de 2 consultas no segundo ano de vida com avaliação do crescimento e desenvolvimento das crianças. Oferecer uma atenção integral a saúde da criança, identificar oportunamente crianças faltosas e acioná-las, identificar intercorrências no estado nutricional e como resolvê-las. Orientar mãe/família /cuidador sobre os cuidados das crianças principalmente orientar como evitar acidentes do lar doenças transmissíveis. Por fim, aumentar o vínculo da família com a UBS propiciando oportunidades de abordagem para a promoção de saúde, prevenção de problemas e agravos e provendo o cuidado em tempo oportuno.
A avaliação dos resultados ocorrerá no final de cada mês por meio de uma reunião da equipe por meio do monitoramento mensal do E-SUS. As crianças também serão acompanhadas a partir dos dados fornecidos pelos ACS e pelas consultas médica e de enfermagem.
É um grande desafio, mesmo que a consulta de puericultura tenha sido estabelecida há muito tempo pelo Ministério da Saúde, pois o baixo nível educacional da população dificulta muito a sua realização. As genitoras e famílias em geral desconhecem a existência de consulta de crianças sãs e consideram que acompanhamento das crianças é apenas vacina, acompanhamento do peso para aquelas que são vinculadas ao Programa Bolsa da Família e atendimento médico quando essas crianças ficam doentes.
Ponto(s)