Titulo :Educação em saúde uma perspectiva de promoção, prevenção e controle da Diabetes Mellitus no município amapá.
Especializando : Maikel Leon Morales
Orientador: Cleyton Cezar Souto Silva
Observação na Unidade de Saúde
O Diabetes Mellitus configura-se hoje como uma epidemia mundial, traduzindo-se em grande desafio para os sistemas de saúde de todo o mundo. O envelhecimento da população, a urbanização crescente e a adoção de estilos de vida pouco saudáveis como sedentarismo, dieta inadequada e obesidade são os grandes responsáveis pelo aumento da incidência e prevalência do diabetes em todo o mundo. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006)
Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, o número de portadores da doença em todo o mundo era de 177 milhões em 2000, com expectativa de alcançar 350 milhões de pessoas em 2025. No Brasil são cerca de seis milhões de portadores e deve alcançar 10 milhões de pessoas em 2010. Um indicador macroeconômico a ser considerado é que o diabetes cresce mais rapidamente em países pobres e em desenvolvimento e isso impacta de forma muito negativa devido à morbimortalidade precoce que atinge pessoas ainda em plena vida produtiva, onera a previdência social e contribui para a continuidade do ciclo vicioso da pobreza e da exclusão social. (MINISTÉRIO DA SAÚDE,2006)
Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia). Pode ocorrer devido a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelas chamadas células beta. A função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação resulta, portanto, em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia. (SBEM,2018)
Sabemos hoje que diversas condições que podem levar ao diabetes, porém a grande maioria dos casos está dividida em dois grupos: Diabetes Tipo 1 (DM1) e Diabetes Tipo 2 (DM2). (SBEM,2018)
O DM1 é o tipo de diabetes predominante na infância e na adolescência, a idade em que ela se inicia geralmente é de 10 aos 14 anos (pico de incidência). Porém, a incidência (número de casos novos) do DM2 está aumentando nesta faixa etária nos últimos anos. (ABCMED,2008)
O diabetes tipo 1 resulta da destruição das células beta do pâncreas – células produtoras de insulina. Esta destruição é mediada por respostas autoimunes celulares. Ou seja, o próprio organismo destrói suas células, levando ao aumento da glicose no sangue por déficit absoluto de produção de insulina.
O DM2 é considerado uma das grandes epidemias do século XXI e afeta quase 90% das pessoas que têm diabetes, sendo o tipo mais comum. Ocorre quando o nível de glicose (açúcar) no sangue fica muito alto. A glicose é o combustível que as células do corpo usam para obter energia.
O diabetes tipo 2 ocorre quando não há produção suficiente de insulina pelo pâncreas ou porque o corpo se torna menos sensível à ação da insulina que é produzida – a chamada resistência à insulina. A insulina ajuda o corpo a levar a glicose para dentro das células. Os sintomas incluem aumento da frequência urinária, letargia, sede excessiva e aumento do apetite – muitas vezes não acompanhado de ganho de peso. (ABCMED,2008)
As complicações crônicas do diabetes mellitus (DM) são decorrentes principalmente do controle inadequado, do tempo de evolução e de fatores genéticos da doença. As complicações crônicas microvasculares englobam a nefropatia diabética, a retinopatia diabética e a neuropatia diabética. As complicações crônicas macrovasculares, como o próprio nome diz, são resultantes de alterações nos grandes vasos e causam infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e doença vascular periférica.
O risco relativo de morte devido a complicações vasculares é três vezes maior nos pacientes com DM do que na população restante com as doenças cardiovasculares (DCVs), sendo responsáveis por até 80% dos óbitos em portadores de DM. Nesses pacientes o risco de infarto agudo do miocárdio (IAM) é semelhante àquele observado em pessoas sem DM que já tiveram um IAM prévio. (BALDUINO, 2014)
Para o tratamento do DM, além do uso da medicação, são necessárias diversas atividades de autocuidado como o seguimento de um plano alimentar, a monitorização da glicemia e a realização de atividades físicas (FERNANDES; ARGIMON, 2010).
A promoção de práticas saudáveis deve ser objeto de ações educativas com os diabéticos, na busca da manutenção da saúde, autonomia na velhice e adaptação às modificações exigidas para o controle metabólico. No entanto, as ações educativas em saúde não determinam diretamente a interferência nos determinantes sociais do envelhecimento ativo, mas podem oferecer contribuição significativa, ao expressarem vivamente o compromisso social do sistema de cuidados, e partilharem com os idosos os desafios nesta direção.
A participação da família nas práticas educativas para indivíduos com diabetes ainda é minoria. A família representa uma unidade de cuidado influenciada pelo sistema de crenças, valores e significados compartilhados, que são fundamentais para que o indivíduo com diabetes consiga alcançar o auto- manejo da doença (BORBA, 2012).
Na UBS Nova Brasília do município amapá nossa equipe realiza atendimento para pacientes diabéticos com mau controle da sua doença, diante disto, a equipe decidiu fazer uma microintervenção.
Para a realização da microintervenção primeiramente nossa equipe da UBS Nova Brasília do município Amapá realizou sua autoavaliação das ações, para isto foi utilizado AMAQ um instrumento de autoavaliação que auxilia no planejamento de ações da equipe. Com ele são identificados os nós críticos que devem ser trabalhados, assim como, as ações de intervenção que devem ser implementadas. A autoavaliação é o ponto de partida para as ações de melhoria e qualidade dos serviços, devendo ser entendido como um processo necessário e contínuo nas ações de monitoramento e acompanhamento pelos gestores, profissionais e equipes.
Para a equipe foi uma experiência muito satisfatória já que nos possibilitou ter um melhor panorama dos principais problemas de saúde da nossa população. Durante a reunião a equipe toda participou expressando suas opiniões e experiencias.
Como já falei utilizando o AMAQ foi feito um levantamento dos principais problemas, e dos problemas com pontuação inferior a 5 pontos a equipe determinou que a organização a atenção as pessoas com HAS e Diabetes Mellitus com base na estratificação de risco foi o principal problema (pontuação 3).Todos os membros da equipe definiram que esse é um problema possível de intervenção, que nós somos capazes de modificar com os recursos disponíveis e muito importante sem delegar as instâncias superiores. Após disso a equipe passou a elaborar a matriz de intervenção, atividade que gerou muita expectativa.
No segundo momento da reunião foram relembrados os indicadores de AMAQ e a equipo confeccionou um instrumento para monitorar um dos indicadores, foram utilizados os dados provenientes do sistema de informação da atenção básica, os dados foram analisados usando os métodos de cálculo propostos pelo PMAQ e apresentados em tabelas comparativas mensais.
Atividades a serem desenvolvidas
1-Primeramente a equipe realizará o cadastro do 100% dos pacientes diabéticos, para isto a equipe terá um prazo de 2 meses, após disto a equipe estará em condições para planejar as ações a serem desenvolvidas para melhorar o acompanhamento dos pacientes e desse jeito obter os nossos objetivos.
2-Segundo eu e a minha equipe iremos fazer palestras para melhorar o conhecimento dos pacientes da sua doença, e desse jeito conseguir mudanças no estilo de vida.
Resultados esperados
Os nossos objetivos com nesta microintervenção são melhorar o acompanhamento dos nossos pacientes diabéticos para desse jeito diminuir as complicações, além disso melhorar seu conhecimento da doença, dos fatores de risco para conseguir mudanças no seu estilo de vida.
A principal dificuldade que a equipe encontrou para a execução da nossa microintervenção é a grande quantidade de pacientes diabéticos que moram em zona rural e apresentam problema para assistir a consulta, embora a equipe planifica visita domiciliar dos pacientes as vezes a falta de transporte ou combustível dificulta nosso trabalho, além disso temos outros pacientes que moram em zonas inaccessíveis o que faz impossível o acompanhamento.
Anexos
Matriz de intervenção
| Descrição do padrão: A equipe de atenção básica organiza a atenção as pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade com base na estratificação de risco. | ||||||
| Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: A equipe de atenção básica não organiza a atenção as pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade com base na estratificação de risco. | ||||||
| Objetivo: Melhorar o acompanhamento dos pacientes diabéticos com base na estratificação de risco. | ||||||
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Estratégias para alcançar os objetivos |
Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução) | Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades | Resultados esperados | Responsáveis | Prazos | Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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Divulgar a metodologia preconizada pelo ministério de saúde |
Reunir a equipe para oferecer educação referente ao tema. | Sala de reunião e projetor de imagem | A equipe conhece melhor a metodologia do atendimento
Deste grupo de pacientes |
Enfermeira da equipe | 30 dias | Livro de atendimento e prontuário dos pacientes |
| Mudar estilo de vida dos pacientes | Palestras sobre estilo de vida saudável fatores de risco e complicações | Sala de reuniões, projetor de imagem | Os pacientes conhecem melhor sua doença e como diminuir as complicações | Medico enfermeira e técnica em enfermagem | 30 dias | Visita domiciliar ,prontuário |
Registro de recém-nascidos atendidos na primeira semana de vida. Ano 2018 UBS Nova Brasília. Amapá
| Ano 2018 | janeiro | fevereiro | Março | abril | maio |
| Total de recém-nascidos | |||||
| Total atendidos na primeira semana de vida | |||||
| porcentual |
REFERÊNCIAS
1- Ministério da saúde. Diabetes Mellitus. Brasília 2006.Disponivel em: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicações/diabetes_mellitus.PDF
2-Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. 2018.Disponivel em: https://www.endocrino.org.br/o-que-e-diabetes/
3-AbcMed, 2008.Disponivel em:
www.abc.med.br › Diabetes mellitus
4- Balduino Tschiedel, 2014.Disponivel em:
files.bvs.br/upload/S/0047-2077/2014/v102n5/a4502.pdf
5- FERNANDES, L. R.; ARGIMON, I.L. Idosos com diabetes mellitus tipo 2 o’ desempenho cognitivo no teste Wisconsin de classificação de cartas(WCST). Universitas Psychologica, 2010.
6- BORBA, A. K. O. T. Práticas educativas em diabetes mellitus: revisão integrativa da literatura. Revista Gaúcha Enfermagem, v. 33, n. 1, p. 1039-1042,2012.
Ponto(s)