Meu nome é Diogo Fernando Bezerra Mota, sou formado pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), no ano de 2016, atualmente estou vinculado ao Programa Mais Médicos para o Brasil, no município de Tobias Barreto, no estado de Sergipe. Nossa equipe faz parte do PSF 15, localizado na zona rural, que abrange 3 grandes distritos: Curtume, Sotero e Poço da Clara. Realizamos atendimento à população de outros 10 povoados menores.
O Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ), é considerado a “principal estratégia indutora de mudanças nas condições e modos de funcionamento das UBS”, e almeja a permanente e progressiva ampliação do acesso e da qualidade “das práticas de gestão, cuidado e participação” na Atenção Básica (BRASIL, 2011).
A criação do PMAQ esteve atrelada ao desenvolvimento de um processo avaliativo denominado AMAQ, dispositivo inicial de auto avaliação que auxilia no planejamento das ações da equipe. Esse instrumento facilita a identificação dos pontos críticos que devem ser trabalhados, assim como, as ações de intervenção que devem ser implementadas pela equipe (BRASIL, 2016).
Juntamente com minha equipe de saúde da família, em três reuniões realizadas na Unidade Básica de Saúde (UBS), analisamos e preenchemos o instrumento de auto avaliação do PMAQ. Cada membro da equipe conseguiu manifestar sua opinião sobre os diversos temas discutidos. Além disso, avaliamos a gestão municipal, a atenção primária, a Unidade de Saúde que trabalhamos e nossa própria equipe, e chegamos à conclusão que há muito a ser feito para que possamos oferecer um serviço de saúde adequado a população.
No preenchimento do AMAQ e criação das matrizes de intervenção, pudemos identificar problemas que fossem passíveis de mudança somente através de ações da equipe, como: baixo percentual de recém-nascidos (RN) atendidos nas primeiras semanas de vida e dificuldade de realização de busca ativa de hipertensos e diabéticos. Além disso, identificamos também problemas mais complexos, no que diz respeito a gestão, problemas de estrutura física da UBS, que não serão passíveis de mudança somente com nossas ações, mas que dependem da cobrança de melhorias junto as autoridades. Deixamos como meta alcançar os padrões de qualidade definidos pelo PMAQ.
Inicialmente, para atingir a meta de consultas exclusivamente na primeira semana de vida, planejamos reforçar as orientações ainda durante o pré-natal sobre a importância da consulta com médico ou enfermeiro na atenção básica logo após o nascimento do RN; reforçamos a orientação para os usuários e funcionários da recepção sobre o atendimento da puérpera e do RN, sem necessitar de agendamento; realizada a busca ativa semanal pelos agentes comunitários de saúde nos lares das gestantes, orientando a mãe e o RN a comparecerem na UBS.
Em relação a busca ativa de pacientes hipertensos, organizamos algumas palestras que seriam ministradas por mim, pela enfermeira e por uma nutricionista. Os temas abordariam a definição de hipertensão arterial, sinais e sintomas, diagnóstico e formas de tratamento. Para realizar esta atividade, reservamos um salão de uma das casas do povoado e conseguimos várias cadeiras, data-show e computador para as apresentações. Além disso, preparamos um lanche que foi oferecido a todos. Este lanche era composto de frutas e alimentos saudáveis. Esta atividade foi realizada no dia 24/04/18, no período da manhã. Tivemos um bom número de pacientes, além da presença de toda a equipe da saúde da família e a nutricionista convidada. A palestra principal foi ministrada pela nutricionista, e ela focou nos hábitos alimentares saudáveis que os pacientes hipertensos precisavam ter e das restrições alimentares.
Evidências consistentes indicam que modificações na ingestão alimentar podem auxiliar tanto na prevenção quanto no tratamento da hipertensão arterial. As principais alterações dietéticas recomendadas para reduzir a pressão arterial incluem redução na ingestão de sódio, perda ponderal (entre os indivíduos com sobrepeso ou obesidade), moderação no consumo de álcool (entre aqueles que ingerem bebida alcoólica), aumento na ingestão de potássio e adoção de um padrão alimentar saudável. Deve-se enfatizar o consumo de frutas, hortaliças, cereais integrais, laticínios com baixo teor de gordura, leguminosas e frutas oleaginosas, além de preconizar a redução na ingestão de alguns alimentos como a carne vermelha, doces e bebidas com açúcar. Foi dada oportunidade a participação de todos, através de perguntas, debates e sugestões.
Esta atividade de intervenção na comunidade acerca da hipertensão arterial é de suma importância, pois muitos pacientes associam que o controle da pressão arterial se dá somente com as medicações. Com isso, negligenciam os hábitos alimentares e saudáveis. Como esta atividade foi bem sucedida, pretendemos realizá-la nos outros povoados, a fim de que toda a população alvo seja alcançada. Além de focar no controle da pressão arterial, fizemos orientações quanto a diversos fatores de risco para desenvolver hipertensão arterial: controle a obesidade através da alimentação saudável e realização de atividade física, redução de consumo de bebida alcoólica e abandono do tabagismo e uso de quaisquer outras drogas. No decorrer das apresentações, pudemos notar, de acordo com a participação da população, que a grande maioria não seguia regularmente as recomendações de uma alimentação saudável e nem tampouco realizava atividades físicas regularmente. Através disso, notamos que o controle da pressão dos pacientes, em muitos casos, não estava adequado. Além das palestras, distribuímos os cartões do hipertenso, que é um documento portável, fácil de carregar no bolso, que tem por objetivo a anotação dos valores pressóricos aferidos em casa e as medicações que o paciente utiliza (doses, horários, etc.).
Concluindo, através destas atividades de intervenção, almejamos trazer grandes benefícios para a população. A visualização dos benefícios a curto e médio prazo poderá estimular a equipe a se comprometer ainda mais com a qualidade da assistência prestada, e buscar medidas que trarão benefícios contínuos e a longo prazo, envolvendo a gestão municipal de saúde e as entidades comunitárias e sociais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Programa nacional de melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica (PMAQ): manual instrutivo. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. (Série A. Normas e Manuais Técnicos);
Departamento de Atenção Básica, Secretaria de Atenção à Saúde, Ministério da Saúde. Autoavaliação para a melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica – AMAQ. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.
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