ATENÇÃO A SAÚDE UM DIREITO DE TODAS AS CRIANÇAS.
ESPECIALIZANDO: DANAY DURAND ORTIZ
ORIENTADOR: ISAAC ALENCAR PINTO
Os primeiros anos de vida são os mais importantes para o crescimento e desenvolvimento das crianças. Em todos os países do mundo a atenção à saúde da criança tem um peso fundamental nos programas de saúde, a puericultura de uma forma geral, garante futuras gerações de adultos e idosos mais saudáveis (OMS, 2005).
No Brasil as equipes de Atenção Básica e Saúde da Família têm por atribuição realizar o acompanhamento de todas as crianças de seu território sendo responsabilidade sanitária dos profissionais que compõem tais equipes estarem atentos à vigilância e ao cuidado desde o pré-natal até a puericultura, favorecendo o vínculo e o reconhecimento de situações que necessitam ser acompanhadas de perto e com a qualidade necessária (BRASIL, 2016).
O Ministério da Saúde (MS) para garantir o acesso e qualidade da atenção em saúde a toda a população instituiu o Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade na Atenção Básica PMAQ no ano 2011 que atualmente se encontra na terceira fase (BRASIL, 2017).
Tendo por base a contextualização realizada anteriormente, foi planejada uma reunião com a equipe para realizar uma matriz de intervenção, levando em consideração a reavaliação do AMAQ (Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade na Atenção Básica) e a seleção de um padrão com menos de 5 pontos.
A primeira dificuldade no caminho foi que a reunião da equipe foi incompleta e no inicio os participantes estavam pouco motivados por não possuírem interesse no tema e quando foi explicado a importância da microintervenção nem todos se mostraram com disposição para executar as ações.
Após realizar a avaliação comprovamos que um dos padrões que ficaram com 4 pontos foi: 4.19: A equipe de Atenção Básica acompanha as crianças com idade até nove anos, com definição de prioridades a partir da avaliação e classificação de risco e análise de vulnerabilidade.
Foi uma apreciação de todos que depois dos dois anos de vida as mães sumiam dos atendimentos na UBS e só procuravam o medico se a criança estivesse doente. Da mesma forma foi identificada um déficit nas ações de saúde desenvolvidas e na avaliação de riscos relacionados às crianças com faixa etária variando entre um ano e nove anos.
Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) reconheceram que não tinham acompanhado as crianças de até nove anos porque a idade prioritária sempre foi menores de dois, e o trabalho com crianças maiores só era desenvolvido nas escolas e creches.
Procurei a coordenadora da UBS para obter informação sobre a matriz de intervenção feita a partir da avaliação do PMAQ em Outubro do ano passado, verificando que não foi desenvolvido o mesmo problema de saúde apesar de que também foi baixa a pontuação do padrão 4.19 identificado nesta ocasião.
Recebi orientação por parte da coordenadora para acessar o portal do Departamento de Atenção Básica e procurar a informação que precisava para a confecção da microintervenção, e a disposição de ajuda no que fosse necessário.
Também procurei saber se tinha alguma planilha ou método para avaliar os indicadores do PMAQ, o resultado foi negativo, a unidade só envia a informação pelo ESUS e não faz avaliação mensal dos indicadores. Fiz uma planilha para avaliar: Média de atendimentos de médicos e enfermeiros por habitantes.
Para isso tomei o total de população, dividi entre 12 meses do ano para saber a quantidade de pessoas que tinham que ser avaliadas por mês. Em seguida, utilizando o Excel, coloquei uma fórmula para dividir o total de atendimentos por mês entre o total de pessoas que tinham que ser avaliadas e obter a média de atendimentos. O PMAQ não tem um indicador especifico para o padrão escolhido, mas tendo o numero de crianças do território desta idade a planilha pode ser utilizada também para avaliar a media de atendimentos deste padrão.
Em uma segunda reunião, ocorrida dez dias depois, os resultados foram diferentes: a assistência foi correta e após apresentar uma matriz inicial feita por mim, todos deram sua opinião em relação ao tema, principalmente em relação a como deveria ser o acompanhamento das crianças nas consultas odontológicas, medicas e de enfermagem, tentando sempre dar prioridade de atendimento às mães.
Também foram propostas ações para ser desenvolvidas na própria comunidade para conscientizar os pais sobre a importância do tema por meio de palestras, reuniões, distribuição de panfletos, e aproveitamento da visita domiciliares para o desenvolvimento de ações educativas e valoração de riscos físicos, químicos, biológicos psicológicos e sociais no entorno familiar e na comunidade que possam atingir as crianças. Ou seja, pouco a pouco saíram um conjunto de ideias para a conformação da matriz atual. Outro ponto positivo foi o fato de todos concordarem que as atividades deveriam ser monitoradas por mês para atingir o sucesso da matriz.
Percebi que em pouco tempo a equipe ficou mais unida e entusiasmada para trabalhar integralmente, realmente em conjunto, com energia positiva para a solução dos problemas e que tenhamos o apoio da coordenação da unidade.
Esperamos que o resultado seja satisfatório e o objetivo seja cumprido através do incremento do numero de atendimentos, diminuição dos riscos e agravos à saúde das crianças e da conscientização dos pais sobre a importância de acompanhar as crianças durante esta etapa de sua vida.
Segue abaixo a matriz de intervenção proposta:
Discrição do padrão: 4.19 A equipe de Atenção Básica acompanha as crianças com idade ate nove anos, com definição de prioridades a partir da avaliação e classificação de risco e análise de vulnerabilidade.
Descrição da situação problema para o alcance do padrão: Fragilidade do acompanhamento médico, odontológico e de enfermagem nas crianças até nove anos na área de abrangência da equipe, falta de classificação de risco e análise de vulnerabilidade.
| Estratégias para alcançar os objetivos-metas | Atividades a serem desenvolvidas | Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades. | Resultados esperados | Responsáveis | Prazos | Mecanismos
e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
| Planejamento e desenvolvimento de ações e saúde voltadas as crianças ate nove anos. | 1-Cadastrar e registar as crianças do território. |
1- Prontuário familiar
1-Cadastrar e
registrar 100 % das crianças
ACS
1 mês
1-Revisão da terminação dos cadastros e confecção do litado
2- Conscientizar os pais sobre a importância do acompanhamento integral das crianças por meio de palestras, reuniões e distribuição panfletos nas escolas, UBS e comunidade.
2-Panfletes
2-Conhecimento e conscientização da população e assistência a UBS
ESF
3 meses
2-Elevação do numero de atendimentos da equipe
3- Colocar avisos na unidade com o dia de atendimento das crianças
3-Papel, impressora e tinta
3-Elevação do numero de atendimentos de consultas médias, de enfermagem e odontológicas as crianças.
ESF
15 dias
3-Comparação do numero de atendimentos da equipe por mês antes e depois da intervenção
4- Citar para a toma de mensurações da bolsa de família na unidade e realizar consultas integrais as crianças
4- Pesa, fita métrica
4.1Prontuário
4- Avaliar em um 90 % o crescimento e desenvolvimento das crianças, incluindo a saúde bucal.
ESF
4 meses
4-Elevação do numero de crianças mensuradas e de atendimentos
5-Aproveitar a visita domiciliar para o desenvolvimento de ações educativas e valoração de riscos físicos, químicos, biológicos e psicossociais das crianças
5-Prontuários, Panfletos,
5.1-
5- Valoração de riscos sociais, ensinar estilos de vida saudáveis.
5.1 Desenvolvimento de ações no meio familiar
ESF
4 meses
5- Numero de crianças avaliadas e ações desenvolvidas na visita domiciliar
6-Imunizaçao das crianças
6-Vacinas e registro de vacinação
6-Cumprimento da meta de Imunização das crianças
Enfermeiro, ACS, técnico de enfermagem.
6 meses
6-Numero de crianças vacinadas
com respeito a meta
7- Planejar executar ações de saúde integrais para o dia da criança.
7-Multiplos
7-Desenvolvimento de ações de saúde integrais o dia da criança.
ESF
18 Outubro
7- Numero de ações desenvolvidas nesse dia.
8- Planejar e monitorar o cumprimento das ações por mês
8- Papel, tinta e impressora.
8-Cumprir todas as ações planejadas
ESF
Todo mês
8-Avaliação nas reuniões da equipe
REFERÊNCIAS:
OMS. Relatório Mundial da Saúde 2005: Para que todas as mães e crianças contem. Genebra, 2005.
BRASIL. O cuidado às crianças em desenvolvimento: orientações para as famílias e cuidadores. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.
BRASIL. Manual para o trabalho de campo PMAQ 3º Ciclo (Avaliação Externa Orientações Gerais). Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
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