25 de junho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

O ACOLHIMENTO NORTEANDO AS PRÁTICAS DA EQUIPE

 

ESPECIALIZADA: RAIANA MACIEL MIRANDA

ORIENTADORA: DANIELE VIEIRA DANTAS

O primeiro contato, longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado são os principais princípios que norteiam a prática da Atenção Primária a Saúde (APS). Acredito que um dos principais entraves dos serviços de saúde seja o acesso ao usuário, entre eles o da atenção básica. Há anos vem se discutindo e rediscutindo modelos a fim de melhorar esse acesso. Hoje se preconiza o acolhimento à demanda espontânea como pilar da estruturação desse processo.

Assim, é importante que sempre estejamos dispostos e aptos às mudanças para nos reestruturamos em prol da melhor qualidade da atenção a saúde, satisfação do usuário e processo de trabalho da equipe.

A Unidade Básica de Saúde (UBS) Santarém é formada por quatro equipes, uma delas encontra-se sem médico no momento. Cada uma tem seu processo de trabalho próprio, são pouco integradas entre si. Na minha equipe, as consultas são feitas mediante atendimento por fichas liberadas diariamente. Existe atendimento agendado para o pré-natal, visitas domiciliares, cinco vagas por semana destinadas para os agentes de saúde marcarem aqueles que consideram mais necessitados de atendimento e uma vaga de cada turno de atendimento reservado para a microárea descoberta de médico.

Mesmo permitindo o acesso da demanda espontânea, sabemos que o número de consultas é insuficiente para cobrir toda a população. Logo, esse modelo dificulta o acesso para aqueles que realmente precisam de consulta naquele dia, bem como favorece a formação de filas desgastantes e inseguras na madrugada.

Desse modo, conversando com o diretor da UBS e o preceptor do Programa Mais Médicos (PMM) notamos a necessidade de adequarmos a implantação do acolhimento.  Assim, decidirmos fazer a matriz de intervenção em cima do aperfeiçoamento da equipe para implantação do acolhimento.

A maioria dos profissionais já tinha ideia de como funciona o modelo na teoria, porém achamos interessante vê-lo funcionando na prática e, assim, quebrar algumas resistências que alguns membros apresentavam. Logo, o preceptor do PMM nos convidou a fazer uma visita em seu local de trabalho, Unidade de Saúde da Família (USF) Cidade Praia, onde o modelo de acolhimento já se encontra implantado há um tempo (Figuras 1, 2, 3 e 4). Desse modo, tivemos a oportunidade de conhecer na prática, escutar as dificuldades que enfrentaram na implantação, como as superaram e como melhorou o funcionamento da unidade. A estrutura na USF de Cidade Praia é bem precária e mesmo assim funciona bem, então realmente serviu de inspiração para adaptarmos ao nosso processo de trabalho e também nos adequar ao modelo preconizado.

Figura 1. Local da escuta inicial USF Cidade Praia. FFigura 2. Escuta inicial USF Cidade Praia.
Figura 3. Local de escuta qualificada da USF Cidade Praia.Figura 4. Reunião entre USF de Santarém e Cidade Praia. Figura 4. Reunião entre USF de Santarém e Cidade Praia.

Infelizmente ainda existe a resistência de alguns para a implantação, principalmente, de alguns profissionais mais antigos os quais ainda se apresentam pouco abertos para a mudança. Fizemos uma reunião com o diretor, médicos, enfermeiros, dentistas e recepcionistas a fim de traçarmos estratégias.

Como somos uma UBS com quatro equipes, para o bom funcionamento da estratégia, teríamos de partir da unificação do processo de trabalho para que todas as equipes trabalhem em sincronia e sem discrepâncias. Outro ponto levantado foi o desfalque das equipes. Falta um médico, dois dentistas e alguns auxiliares de enfermagem o que prejudicaria a escuta qualificada e atendimentos oferecidos.

No que diz respeito a capacitação dos profissionais para fazer a escuta qualificada adequada, destaca-se que os agentes de saúde já possuem um sistema de escuta inicial semelhante ao que ocorre no acolhimento que é o “Posso ajudar?”, porém se teria que aumentar o número de profissionais nesse posto para melhor atender a população e a realização de um treinamento com os agentes de saúde para capacita-los a discernir as prioridades e necessidade da escuta qualificada.

Portanto, demos o passo inicial levantando o questionamento e discutindo formas de implantação. Porém há muito que se caminhar e rediscutir. Foi marcada outra reunião incluindo todos os profissionais e o Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF) para nova discursão a fim de traçarmos metas mais concretas em relação ao modelo de implantação. Além do maior embasamento teórico, sugerindo a leitura do Caderno 28 – Acolhimento à Demanda Espontânea Volume I e II, bem como pretendo expor os vídeos presentes no material do Texto da Unidade 4 – Acesso Avançado na Atenção Primária a Saúde (APS) Parte I e II, promovendo maior aperfeiçoamento para implantação do acolhimento.

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