CONSTRUINDO A ATENÇÃO PRIMÁRIA DE SAÚDE COM QUALIDADE
AMANDA PEREIRA TRIANI
ROMANNINY HEVILLYN SILVA COSTA ALMINO
A construção do Sistema Único de Saúde (SUS), no final da década de 1980, se deu no contexto da reorientação do modelo assistencial e teve como principal estratégia a expansão da Atenção Primária à Saúde. (MENDES, 2002; FONTINELE JUNIOR, 2003).
Por volta dos anos 2000, observou-se uma maior mobilização para o controle da qualidade e avaliação dos resultados no âmbito da Atenção Básica, que veio a culminar com a institucionalização de ferramentas de avaliação e monitoramento como os utilizados no PMAQ/AB, Programa Nacional de Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica (BRASIL, 2012).
A utilização de instrumentos autoavaliativos impulsiona o desenvolvimento da Atenção Básica ao promover o agir reflexivo e orientar as ações das equipes. Tem por objetivos principais identificar problemas e estimular a construção de estratégias a fim de melhorar as práticas e relações na Atenção Primária à Saúde. Portanto, faz-se necessário a consolidação de tais ações para avançarmos num acesso à saúde universal, integral, equânime e de qualidade (BRASIL, 2012).
No relato desta primeira Microintervenção abordarei como se deu a organização para realizarmos nossa autoavaliação com os critérios do AMAQ/AB, Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade na Atenção Básica, bem como algumas propostas levantadas pela equipe para construirmos nossa matriz de intervenção. Também falarei sobre o SIGSS, Sistema Integrado de Gestão de Serviços de Saúde, que é o instrumento que utilizamos para registrar nossos indicadores de saúde na comunidade, através dos registros no prontuário.
A Unidade Básica de Saúde (UBS) na qual atuamos está localizada no bairro Aeroporto, na cidade de Boa Vista, capital de Roraima, e, por enquanto, conta apenas com uma equipe de Saúde da Família. É uma unidade com, aproximadamente, 3 meses de funcionamento, pois é recém inaugurada, e ainda não foi cadastrada no PMAQ. Portanto, para fazermos nossa autoavaliação, utilizamos o instrumento em PDF a fim de realizá-la manualmente.
Antes da reunião com a equipe, imprimi os anexos, nos quais constavam os itens necessários para o bom funcionamento da unidade. Então, contei com a contribuição de toda a equipe para fazermos um levantamento prévio do que dispomos em nossa UBS. Este trabalho foi realizado nos intervalos dos atendimentos, em dias de agenda não tão cheia. Após esta primeira etapa, realizei uma estimativa percentual do que possuíamos, para que em nosso encontro tivéssemos uma análise real da nossa situação. O passo seguinte foi a reunião de equipe para preenchermos juntos o instrumento, tal encontro foi feito no dia 7 de maio de 2018, das 14:00 às 18:00.
Inicialmente, exibi um vídeo do canal Comunidade de Práticas que, além explicar o PMAQ, também trazia relatos de experiência de profissionais da saúde e gestores que passaram a utilizar as ferramentas de autoavaliação. Depois, eu e o enfermeiro falamos sobre outros detalhes do PMAQ, como o incentivo financeiro, pois nem todos os membros da equipe tinham conhecimento do programa, explicamos seu funcionamento e objetivos, reforçando o caráter não punitivo do mesmo, a fim de realizarmos uma análise objetiva da situação de nossa UBS. Ao responder o instrumento e sua folha de respostas e classificação, verificamos que nossa situação é regular. Pontuamos 37 pontos na subdimensão Infraestrutura e Equipamentos e 36 pontos na subdimensão Insumos, Imunobiológicos e Medicamentos.
Para facilitar a visualização da nossa realidade e ajudar a traçar as nossas metas, o diretor sugeriu que uma classificação em cores fosse utilizada, para que pudéssemos anexar em nossa sala de reuniões. A cor vermelha foi usada para a classificação muito insatisfatório (0 a 2 pontos), a cor laranja para insatisfatório (3 a 5 pontos), a cor amarela para regular (6 a 7 pontos), a cor azul para satisfatório (8 a 9 pontos) e a cor verde para muito satisfatório (10 pontos). Para cada problema com pontuação igual ou inferior a 7, estabeleceremos uma matriz de intervenção que será anexada ao lado da nossa folha de respostas, em nossa sala de reuniões, e faremos o acompanhamento regular do progresso dos mesmos.
Acesso e Continuidade do Cuidado
Em nossa cidade, registramos as informações dos pacientes no SIGSS, Sistema Integrado de Gestão de Serviços de Saúde. A consulta clínica é realizada no modelo SOAP, Subjetivo para as queixas do paciente e outras informações por ele fornecidas, Objetivo para relatar os dados dos exames físico e complementares, Avaliação para conclusões e hipóteses diagnósticas e Planos para registrar as condutas a serem tomadas. No SIGSS também há campos para registramos exames solicitados, encaminhamentos, procedimentos, entre outros. Com as informações inseridas, é possível gerar relatórios referentes a maioria dos indicadores do PMAQ. Quando comecei a trabalhar na Atenção Básica, recebi treinamento apenas referente ao atendimento clínico. Portanto, precisei solicitar a presença do funcionário da prefeitura responsável pelo apoio técnico do sistema para que ele me ensinasse a gerar os relatórios, a fim de podermos, enquanto equipe, traçar as nossas estratégias de ação.
Porém, a análise dos nossos indicadores ainda está em desenvolvimento,, pois ainda não conseguimos definir o nosso território, já que nossa UBS é recém inaugurada e ainda está no processo de delimitação da área de abrangência com as UBS próximas. Portanto, ainda não sabemos a quantidade de pessoas que está sob a responsabilidade de nossa equipe e nem seu perfil epidemiológico.
A maior dificuldade para respondermos ao AMAQ foi conseguirmos marcar uma reunião da equipe, nesse período, pois coincidiu com as ações de vacinação referentes ao surto de sarampo que estamos enfrentando e devido à alta demanda na UBS como, consequência, da imigração venezuelana.
Quando iniciou-se a articulação para realizarmos essa reunião de autoavaliação tivemos a sensação que nossa classificação seria satisfatória, já que se trata de uma unidade nova e com boa estrutura física. Porém, conforme fomos analisando os itens dos anexos e após respondermos o instrumento, vimos que temos muito a melhorar. A oportunidade de fazer essa avaliação com tão pouco tempo de funcionamento, aproximadamente 3 meses, pode ser fundamental para que alcancemos um bom nível de excelência em nossos atendimentos aos usuários.
Com esta primeira microintervenção pude observar que as reuniões de equipe são essenciais para nos mantermos unidos profissionalmente em prol dos usuários. Foi gratificante ver o interesse de todos para dividir as tarefas das microintervenções que serão realizadas em nossa UBS. Espero que possamos nos manter atentos aos nossos problemas e potencialidades, bem como dispostos a contribuir para uma boa qualidade dos atendimentos.
Ao final, segue a matriz de intervenção detalhada.
MATRIZ DE INTERVENÇÃO
Situação Problema:A Unidade Básica de Saúde possui cronograma de manutenção das instalações físicas, equipamentos e instrumentais de forma regular e sistemática.
Objetivo/Meta: Criar um cronograma de manutenção das instalações físicas, equipamentos e instrumentais de forma regular e sistemática.
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Estratégias para alcançar os objetivos/metas |
Atividades a serem desenvolvidas |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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– Solicitar à Secretaria Municipal de Saúde o apoio de uma empresa especializada em manutenções. |
– Articulação com a Secretaria Municipal de Saúde; – Contratação de empresa especializada; -Estabelecimento de um rotina de manutenção. |
– Linha telefônica; – Tempo para reunião; – Transporte para os deslocamentos necessários. |
– Estabelecimento de cronograma mensal de manutenção das instalações |
– Diretor da UBS |
– 3 meses |
– Concretização do cronograma de manutenção das instalações físicas, equipamentos e instrumentais de forma regular e sistemática. |
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Programa de melhoria do acesso e da qualidade: documento síntese para avaliação externa. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012.
FONTINELE JUNIOR, K. Programa Saúde da Família (PSF) comentado Goiânia: AB, 2003.
MENDES, E. V. A atenção primária à saúde no SUS.Fortaleza: Escola de Saúde Pública do Ceará, 2002.
Ponto(s)