NUTRIÇÃO SAUDÁVEL: EXPERIÊNCIA COM UM GRUPO DE DIABÉTICOS
ESPECIALIZANDO: FARLEY SOARES CANTIDIO
ORIENTADOR: JÂNIO RODRIGUES REGO
A Unidade Básica de Saúde (UBS) Dalmo Silva Feitosa, inaugurada em 2018, localizada no Bairro Cauamé, zona Oeste do município de Boa Vista-RR, com área de 183,18 m2, situada na Macroárea 2.0, apresenta duas equipes que atuam no território correspondente, sendo que a Equipe 1.6, da qual faço parte, possui seis Agentes Comunitários de Saúde (ACS), distribuídos em 6 Microáreas.
Segundo o último Relatório da Situação de Saúde, obtido a partir da ficha SSA2, realizado em março de 2018, a UBS possui o quantitativo de 64 diabéticos e 200 hipertensos cadastrados e em acompanhamento pela Equipe 1.6. Ademais, no ano de 2018, a equipe verificou que, do total de 983 atendimentos individuais realizados, 119 correspondiam à assistência aos hipertensos e 88, aos diabéticos entre os meses de janeiro a fevereiro. Nesse contexto, o diagnóstico situacional apontou que a maioria dos usuários atendidos com essas doenças crônicas, apresentavam controle insatisfatório dos índices glicêmicos e pressóricos, resultando sobremaneira no aumento de descompensações e dificuldades no tratamento.
Considerando a UBS e todos os profissionais comprometidos com a captação, cadastro e assistência aos portadores de doenças crônicas, o cenário verificado, após reunião de equipe, foi a necessidade de aproximação dessa população prioritária com a Atenção Básica, para que uma estratégia de intervenção fosse viabilizada com o objetivo de identificar fatores relacionados ao insucesso terapêutico dessas morbidades, melhorar os serviços de saúde e reduzir as complicações agudas e crônicas da hipertensão arterial e diabetes mellitus.
Desse modo, a fim de que uma solução viável e a contento fosse estabelecida na ingerência dessa problemática, ao realizar o módulo de Observação na Unidade de Saúde do Programa de Educação Permanente em Saúde da Família (PEPSUS), após responder a última Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade de Atenção Básica (AMAQ), identifiquei, em colaboração com os demais profissionais, que a UBS não apresentava grupo operativo que trabalhasse regular e prioritariamente com a população diabética e hipertensa.
Assim, quanto à subdimensão atenção integral à saúde da AMAQ, dois itens foram pontuados como prioridade, correspondendo às seguintes situações problema:
1) A equipe de atenção básica não identificava e mantinha satisfatoriamente o registro atualizado das pessoas com fatores de risco/doenças crônicas mais prevalentes do seu território, especialmente hipertensão arterial e diabetes mellitus.
2) A equipe de atenção básica não realizava cotidianamente ações de apoio ao autocuidado e ampliação da autonomia das pessoas com doenças crônicas.
A partir do exposto, todos os profissionais da UBS decidiram pela realização de grupos operativos de diabéticos e hipertensos, cujo primeiro encontro com os portadores de diabetes mellitus, ocorreu dia 10/05/2018, quando, na oportunidade, o médico discutiu sobre as temáticas nutrição e uso das medicações pelo diabético.
Para a discussão com os usuários, foram utilizadas as informações do “Manual de nutrição: pessoa com diabetes”, que conforme Alvarez (2009), é um material disponibilizado aos profissionais, que lidam com o diabetes, aos pacientes e seus familiares, além de amigos, cujo objetivo é esclarecê-los de que uma alimentação equilibrada e balanceada é, inevitavelmente, a chave para o controle metabólico, resultando em um estilo de vida mais saudável.
O “Manual de Contagem de Carboidratos para Pessoas com Diabetes” do Departamento de Nutrição e Metabologia da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), também foi utilizado como referencial teórico. Segundo Bruno et al. (2016), a contagem de carboidratos objetiva a alimentação saudável, na qual o paciente ingere todos os grupos de alimentos. Além disso, os autores enfatizam que o segredo decorre da relação entre as porções adequadas de alimento e sua associação com o tratamento medicamentoso.
Após a confecção de material multimídia, os diabéticos foram reunidos em uma sala do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do bairro Cauamé, em dia agendado, onde foram discutidos os principais aspectos nutricionais, que os participantes poderiam utilizar no seu cotidiano e adequá-los ao seu estilo de vida e à realidade local. Durante o evento, houve oportunidade para troca de experiências entre os usuários, interatividade em grupo, esclarecimento de dúvidas e participação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e acadêmicos da terceira série do curso de Graduação em Medicina da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Na ocasião, todos os diabéticos foram submetidos a aferição de glicemia capilar, pressão arterial, medidas de circunferência abdominal e relação cintura-quadril.
Os resultados dessa experiência revelaram os seguintes aspectos, com relação à população presente:
Na etapa final do evento, decidiu-se pela importância e continuidade do grupo e que novos encontros seriam marcados, pelo menos uma vez a cada dois meses. Em seguida, os usuários trocaram experiências entre si e foram convidados a realizar uma refeição saudável com os alimentos que foram exemplificados durante a conversa e apresentação.
Diante do exposto e dos resultados encontrados, a equipe concordou que seria igualmente necessária a aplicação de um instrumento de coleta de dados, para investigar o conhecimento desses usuários sobre sua terapia medicamentosa e avaliar questões nutricionais dessa população diabética.
Para o levantamento de dados, foram construídas quatro fichas que deveriam ser utilizadas pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e aplicadas aos diabéticos de suas respectivas microáreas. Anteriormente a essa etapa, o médico se reuniria com os ACS e explicaria sobre as questões abordadas nos formulários, para o esclarecimento de dúvidas que pudessem surgir durante a aplicação.
Após essa etapa, os dados seriam tabulados e, posteriormente, analisados com o objetivo de estabelecer propostas de intervenção. Dessa forma, em um segundo momento, a equipe, mediante os resultados obtidos, construiria novas estratégias para a continuidade e operacionalização do grupo de diabéticos, como ação de apoio ao autocuidado e ampliação da autonomia das pessoas com doenças crônicas.
REFERÊNCIAS
ALVAREZ, M. M. Manual de nutrição: pessoa com diabetes. Departamento de Nutrição e Metabologia da Sociedade Brasileira de Diabetes. Sociedade Brasileira de Diabetes. 2009, 39 p. Disponível em: < http://www.diabetes.org.br/publico/pdf/manual-nutricao-publico.pdf> Acesso em: 01 de maio de 2018.
BRUNO, L. et al. Manual de contagem de carboidratos para pessoas com diabetes. Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes. Sociedade Brasileira de Diabetes. 2016, 110 p. Disponível em: <http://www.diabetes.org.br/publico/novo-manual-de-contagem-de-carboidratos-da-sbd> Acesso em: 01 de maio de 2018.
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