10 de junho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

CAPÍTULO I:  Observação na Unidade de Saúde

A situação de saúde de um país intervém no desenvolvimento deste, assim tem muitos anos que no Brasil começou uma grande luta sanitária e possibilitou que, em 1988, a saúde se tornasse direito de todos e dever do Estado por meio de um Sistema Único de Saúde (SUS). Essa transformação resultou em algumas mudanças na organização dos saberes, das práticas, dos modelos e dos sistemas de saúde até adquirir a sua conformação atual.

Desde a implantação do Programa de Saúde da Família (PSF), em 1994, até a sua transfor­mação em Estratégia na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) em 2006, e reforçada na nova PNAB de 2017, um novo modo de atenção tem sido consolidado em grande parte dos muni­cípios brasileiros como forma de se reverter o antigo modelo, além de levar a assistência a parcelas da população antes excluídas ou prejudicadas pelas dificuldades de acesso à saúde.

O SUS propõe uma estratégia para um cuidado integral e direcionado às neces­sidades de saúde da população, destaca a Atenção Básica como primeiro ponto de atenção e porta de entrada preferencial do sistema, que deve ordenar os fluxos e contrafluxos de pessoas, produtos e informações em todos os pontos de atenção à saúde, prevendo a descentralização com direção única e atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais. As atividades são propostas para ser feitas em todos os níveis de atenção: nacional, estadual e municipal.

A Unidade Básica de Saúde (UBS) Clemildo Amâncio dos Santos, está localizada no povoado Matinha, no município Umbaúba do estado Sergipe. A infraestrutura da UBS existente está dentro dos padrões propostos pelo Ministério de Saúde, sendo de Porte I. A UBS é responsável pelo cadastramento e acompanhamento da população vincu­lada (adscrita) a uma área (território de abrangência) para um total de 5600 pessoas.

A equipe 04 faz parte desta UBS e é composta por 1 médico, 1 enfermeiro, auxiliar e técnico de enfermagem, 13 agentes comunitários de saúde (ACS), 1 cirurgião-dentista, 1 auxiliar em saúde bucal. A equipe possibilita a cobertura de 100% da população. Para equipe de saúde da família, há a obrigatorie­dade de carga horária de 40 (quarenta) horas semanais para todos os profissionais de saúde membros da equipe de Estratégia de Saúde da Família (ESF). Os profissionais estão vinculados a 1 (uma) equipe de Saúde da Família, no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) vigente.

A ESF é a estratégia prioritária de atenção à saúde e visa à reorganização da Atenção Básica no país, de acordo com os preceitos do SUS. É considerada como estratégia de expansão, qualificação e consolidação da Atenção Básica, por favorecer uma reorientação do proces­so de trabalho com maior potencial de ampliar a resolutividade e impactar na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação custo-efetividade.

O Ministério da Saúde fez a proposta do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ), o qual é um modelo de avaliação de desempenho do sistema de saúde, nos três níveis de governo, que pretende mensurar os efeitos da política de saúde com vistas a subsidiar a tomada de decisão, garantir a transparência dos processos de gestão do SUS e dar visibilidade aos resultados alcançados, além de fortalecer o controle social e o foco do sistema de saúde nos usuários.

A equipe de saúde 04 aderiu ao PMAQ e recentemente foi a reunião para autoavaliação com a ferramenta de Autoavaliação para Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica (AMAQ), que auxilia no planejamento de ações da equipe. Foram identificados os nós críticos que devem ser trabalhados, assim como, as ações de intervenção que devem ser implementadas. A autoavaliação é o ponto de partida para as ações de melhoria e qualidade dos serviços, devendo ser entendido como um processo necessário e contínuo nas ações de monitoramento e acompanhamento pelos gestores, profissionais e equipes (BRASIL, 2016).

Para um total de 5600 pessoas de nossa área de abrangência, 678 indivíduos (12,1%) estão cadastrados como portadores de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Mediante os controles realizados e os atendimentos feitos pelo resto da equipe de saúde aos usuários, muitos deles mantém níveis pressóricos elevados, principalmente em pessoas com idade acima de 18 anos. Estima-se que há mais indivíduos com HAS na comunidade e que não estão cadastrados.

Ressalta-se que o número de indivíduos cadastrados diverge do número de atendimentos realizados na rotina da UBS. Além disso, os comprometimentos relacionados com a HAS são o principal motivo de encaminhamento de indivíduos para a urgência. Sendo assim, a equipe escolheu os padrões 4.28 e 4.29 da AMAQ para realizar a microintervenção. Estes padrões versam sobre a equipe de atenção básica identificar e manter o registro atualizado de todos os hipertensos do seu território, assim como da organização da atenção com base na classificação de risco (BRASIL, 2016).

Os padrões foram avaliados em conjunto, com todos os participantes na reunião, sendo nossa prioridade principal. Na avaliação esses padrões atingiram 6 pontos, e quanto menor é a pontuação maior dever ser o investimento. Diante disso, foi elaborada uma estratégia de intervenção para melhorar a qualidade de vida do indivíduo com HAS. Construiu-se assim uma matriz de intervenção (quadro 1) que é uma importante ferramenta para apoiar o processo de planejamento participativo para o seu enfrentamento, num curto período de tempo e sem altos gastos.

Os objetivos desta microintervenção é garantir o registro atualizado de todos hipertensos do território e viabilizar o atendimento oportuno de acordo com as necessidades de saúde dos indivíduos com HAS.

Dentre as estratégias utilizadas para esta microintervenção estão a capacitação da equipe de saúde e o planejamento das ações em saúde. Os dados foram coletados das seguintes fontes: registros da UBS, de fontes secundárias como Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), sala de situação, entrevistas com informantes-chave da comunidade utilizando questionários curtos e observação ativa da área pelos membros da equipe, especialmente os agentes comunitários de saúde. Foi necessário trabalhar com folhas de papel, canetas, laptop, como material de apoio.

Mesmo que tenhamos apresentado dificuldades na realização da reunião, pois não tive um 100% de assistência dos ACS, por encontrarem-se de férias ou licença maternidade, os principais fatores que dificultaram o controle dos usuários com HAS foram, em grande parte, relacionados a situações desgastantes do dia a dia, à falta de enfrentamento da doença pela desinformação e à desorganização do processo de trabalho do serviço de saúde.

A elaboração das ações desta microintervenção contribuiu para reforçar a importância de conhecer os fatores que dificultam a adesão da pessoa com hipertensão arterial sistêmica ao tratamento, considerando seus conhecimentos, suas características individuais e sua cultura, conhecendo melhor a sua maneira de ser, sentir e agir.

É possível oferecer informação aos indivíduos com HAS e suas famílias em processos de educação em saúde. É importante propor intervenções que diminuam os fatores de riscos modificáveis e que incrementam a incidência de HAS na população, sensibilizando as pessoas de toda a comunidade, sobre a importância da promoção da saúde e da prevenção de danos secundários da doença.  Elas podem ser alcançadas por meio da adoção dos estilos de vida saudáveis pelos indivíduos pertencentes à nossa área de abrangência.

Quadro 1: Matriz de intervenção para os padrões 4.28 e 4.29 da AMAQ na Unidade Básica de Saúde Clemildo Amâncio dos Santos.

Estratégias para alcançar os objetivos/metas

Atividades a serem desenvolvidas

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

Responsáveis

 

Resultados esperados

Prazos

Mecanismo indicadores para avaliar o alcance dos resultados

Modificar hábitos e estilos de vida.

Garantir aos usuários atendimentos em consultas.

Distribuição de panfletos com orientação sobre alimentação saudável.

Realização de exercícios físicos.

Consultas agendadas, programadas, demanda espontânea.

Papel e laptop.

Apoio dos professores de educação física do NAFS.

Canetas, prontuário individual.

ACS.

Médico e enfermeira.

Diminuir em mais de 30% os obesos, sedentários e tabagistas. No prazo de doze meses.

Assistências as consultas.

Cada 3

Meses.

Sala situacional do equipe 04.

Prontuário individual e fichas do SUS

Identificar os usuários que sofrem Hipertensão Arterial Sistêmica.

Pesquisas da pressão arterial com níveis elevados.

Esfigmomanômetro, estetoscópio, papel e caneta.

Médico, enfermeira e auxiliar de enfermagem.

Controle da pressão arterial.

Diário.

Prontuário individual.

Realizar Atividades educativas

Palestras sobre a a doença(HAS)

Laptop, data show e local adequado para a atividade com cadeiras para os usuários.

Médico e enfermeira.

Elevar o conhecimento dos usuários sobre a doença

Mensal

Encosta a usuário participante

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