CAPÍTULO I: Importância da criação de grupos terapêuticos para obesos, na UBS 09, Município Nossa Senhora das Dores, Estado Sergipe, maio 2018
O Ministério de Saúde criou o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e Qualidade (PMAQ) para fortalecer, apoiar, monitorar e avaliar os serviços da Atenção Básica de Saúde. A autoavaliação, no âmbito do PMAQ/AB (Atenção Básica), é o ponto de partida da melhoria da qualidade dos serviços. Por meio da reflexão das pessoas envolvidas é possível provocar a autoanálise, a autogestão, a identificação dos problemas e a construção de estratégias de intervenção para melhoria dos serviços, levando a reorganização do trabalho das equipes de Atenção Básica e da gestão municipal de saúde. (BRASIL, 2016).
As ações desenvolvidas abrangem a assistência integral ao indivíduo, e prioritariamente, atividades de promoção da saúde e prevenção de doenças para população adstrita. Dentre estas, a educação em saúde é a de maior destaque pelo seu alcance e pelo custo benefício favorável.
Na atenção básica a obesidade vem sendo um problema de saúde, a ausência do nutricionista na maioria das equipes de saúde no Brasil pode fazer com que outros profissionais sejam responsabilizados por ações de orientação e aconselhamento aos usuários portadores de comorbidades advindas de hábitos alimentares da população como diabéticos, hipertensos, obesos, desnutridos. Quando presente na equipe de saúde, o nutricionista tende a acumular funções em diferentes setores e há predomínio das atividades assistenciais em detrimento de atividades de promoção à saúde. (BOOG, 2008)
A obesidade pode estar na origem de efeitos psicológicos negativos, agravados pela pressão sociocultural, como a ansiedade, a baixa autoestima, qualidade de vida diminuída, distúrbios de comportamento alimentar, depressão e aumento do risco de ideação suicida. Nas gestantes, a obesidade é um fator de risco para óbito fetal. Há também uma associação com menores taxas de amamentação, duração da lactação e quantidade de leite produzido que, por sua vez, diminui o fator de prevenção de obesidade no filho inerente ao leite materno. (WHO; 2004).
Devido ao alto índice de pacientes com Obesidade existentes na UBS, a dificuldade desses pacientes no cumprimento da dieta adequada e a realização de atividade física, nós construímos uma Matriz de Intervenção para desenvolvermos grupos terapêuticos com o objetivo de modificar estilos de vida, baseados na motivação, avaliação e orientação nutricional dos pacientes obesos pertencentes a UBS 09, do município Nossa Senhora das Dores no estado de Sergipe.
Para dar saída ao objetivo foi realizada a autoavaliação da equipe 09, utilizando o AMAQ que constitui a terceira versão do PMAQ, como ferramenta do processo de autoavaliação da UBS. A equipe é composta por médica, enfermeira, técnica de enfermagem, e seis agentes comunitários de saúde, na reunião realizada pela equipe identificamos as potencialidades, e as fragilidades da UBS.
Além de ser uma UBS num local adaptado, temos as potencialidades seguintes: condições de infraestrutura mínima para um adequado desenvolvimento das ações de saúde, a equipe trabalha com território definido e organizado, com 3 povoados e 6 micro-áreas, com os riscos identificados. A equipe realiza os atendimentos domiciliares agendados, programados e segundo a necessidade da população, para aqueles pacientes que sua situação de saúde não lhe permite ir para UBS.
Dentre das fragilidades pudemos identificar varias, mas a mais relevante foi que a equipe não desenvolve grupos terapêuticos na UBS, nem dispõe dos impressos para o controle desses pacientes, para isso a equipe criou a Matriz de Intervenção, desenvolvendo planos de ações para solucionar essas problemáticas.
Como estratégia para alcançar os objetivos e metas, organizou-se um grupo terapêutico com clientes obesos, e foram identificados através de um levantamento epidemiológico nos prontuários’ da Unidade.
Dessa forma, faz-se necessário na UBS um planejamento de intervenções comunitárias a fim de desenvolver ações para a modificação do estilo de vida, assim como os hábitos alimentares dos pacientes, ganhar na percepção de risco das complicações causadas pela obesidade, como aparição de doenças crônicas não transmissíveis.
A obesidade é uma epidemia global com um forte impacto negativo na saúde e economia, onde há uma urgência na tomada de medidas de desenvolvimento e estratégias de prevenção e tratamento desta doença. No Brasil, a obesidade recentemente tem sido considerada um problema de Saúde Pública (REIS, 2010).
Os Grupos Terapêuticos são estratégias utilizadas para combater à obesidade. A pessoa pode conviver com pessoas que vivem experiências semelhantes às suas, tem afinidade e compreensão dos mesmos problemas e dificuldades, buscam aceitação, apoio, para vencer e combater a obesidade (REIS, 2010). Neste sentido, este estudo visa abordar a importância dos grupos terapêuticos para obesos dentro da saúde comunitária, o quanto facilita o trabalho da equipe de saúde e da vida de pessoas obesas.
Os instrumentos utilizados para o monitoramento dessas ações foram ficha de atendimento individual, ficha de atendimento coletiva, as reuniões da equipe efetuadas mensalmente onde se avaliarão o cumprimento dessas ações. E foi criado uma ficha de clientes obesos, aonde citaremos algumas variáveis para o monitoramento da condição metabólica destes. (apêndice 1) Ficha que foi preenchida durante os atendimentos dos usuários com esta condição.
Com o desenvolvimento destes grupos, conseguimos conscientizar e mudar a realidade dos pacientes obesos, sobre a base do conhecimento dos riscos e consequências para a saúde da obesidade como doença crônica, como precursora de doenças cardiovasculares e endócrino-metabólicas. Com a participação ativa deles nas atividades do grupo terapêutico e o apoio do NASF, nosso objetivo fundamental é; o paciente como protagonista no combate a obesidade.
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