23 de Maio de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

TÍTULO: OBSERVAÇÃO DE UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE NO MUNICÍPIO DE MACAPÁ-AP.

ESPECIALIZANDO: EDER RODRIGUES NAZÁRIO

ORIENTADOR: CLEYTON CÉZAR SOUTO SILVA

 

            O Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade na Atenção Básica (PMAQ), funciona como um processo constante de melhoria do acesso e qualidade. Os resultados das avaliações que os questionários fornecem devem proporcionar conhecimento às equipes e à gestão, de forma a buscar o planejamento das ações e corroborar para as tomadas de decisões. Lembrando que enquanto ciclo contínuo, deve existir uma constante monitorização dos processos, para o alcance de padrões de qualidade padronizados pelo PMAQ, permitindo reconhecer as prioridades de educação permanente, programação e contratualização de ações e apoio institu­cional. (BRASIL, 2016).

            Para que tal processo funcione de forma contínua, surge a necessidade de definir quais indicadores serão utilizados para mensurar os resultados e o desempenho da gestão e das equipes de saúde. De acordo com o proposto, no PMAQ foram escolhidos alguns indicadores de monitoramento do desempenho da Unidade de Saúde. Por meio deles, é possível acompa­nhar os efeitos das intervenções; identificar e corrigir problemas; e analisar desempenho. (BRASIL, 2015)

            Lembrando que a importância do monitoramento é refletida em cinco objetivos específicos da ação (BRASIL, 2015):

  1.   Orientar o processo de negociação e contratualização de metas e compromissos entre equipes e gestor municipal, assim como entre este e as outras esferas de gestão do SUS;
  2.   Subsidiar a definição de prioridades e planejamento de ações para melhoria da qualidade da AB, tanto para as equipes participantes, quanto para os gestores das três esferas de governo;
  3.   Promover o reconhecimento dos resultados alcançados e a efetividade ou necessidade de aperfeiçoamento das estratégias de intervenção;
  4.   Promover a democratização e transparência da gestão da AB e o fortalecimento da participação do usuário, por meio da publicação de metas e resultados alcançados;
  5.   Fortalecer a responsabilidade sanitária e o protagonismo dos diversos atores, ao revelar tanto as fragilidades quanto os pontos positivos, motivando as equipes e gestores.

            No atual ciclo do PMAQ (3º ciclo – 2016/2017), são selecionados 12 indicadores de desempenho, sendo 11 para equipes de atenção básica, conforme tabela:

                                                   FONTE: BRASIL, 2016.

            Os indicadores acima devem ter maior correspondência com elementos integrantes da fase de desenvolvimento, considerando os princípios da Atenção Básica presentes na PNAB e sua relevância para melhoria e ampliação do acesso e da qualidade dos serviços de saúde no Brasil (BRASIL, 2016).

            De acordo com a realidade local da Unidade Básica de Saúde Cidade Nova, localizada na cidade de Macapá – AP, encontrando-se em casa alugada, adaptada para execução das atividades pelas equipes de Estratégia Saúde da Família – ESF, não condizendo com as características ideais preconizadas pelo Ministério da Saúde, atrapalhando o processo de cuidado a população. Além disse houve um período aproximadamente 8 meses, sem a presença de qualquer médico na Equipe em que participo atualmente, fazendo com que a população adscrita ficasse sem qualquer tipo de atendimento médico, trazendo prejuízo imenso no processo de cuidado.

            Com tais problemas supracitados, houve um processo de mudança imenso desde de janeiro, para atender as demandas da população, e reconhecimento do território adscrito, porém não houve qualquer monitorização dos indicadores propostos pelo 3º ciclo do PMAQ. Trabalhamos com o sistema E-SUS CDS, e não existe qualquer forma de se gerar relatórios baseados nas informações lançadas no sistema. Procuramos ainda a Gestão Municipal sobre esses relatórios, e nos foi passado que também era impossível a geração de relatórios baseados pela plataforma E-SUS CDS, trazendo dificuldades em qualquer tipo de monitorização que seja implantado.

            Baseado na realidade local, com a necessidade de conhecer mais sobre a qualidade da assistência prestada a população, será aplicado o AMAQ. Já pela falta de monitorização de indicadores, com a ausência do Prontuário Eletrônico e com a dificuldade de geração de relatórios via E-SUS CDS, será escolhido um indicador que se consiga monitorar de forma efetiva com trabalho manual.

            Essa 1ª microintervenção possui os seguintes objetivos:

  1.   Avaliar a qualidade da assistência da Atenção Básica local por meio do AMAQ.
  2.   Propor e executar uma Matriz de Intervenção.
  3.   Selecionar um indicador de desempenho da qualidade da Atenção.
  4.   Refletir sobre melhorias para o cuidado de saúde de forma integral.

            Referente a Matriz de Intervenção será aplicado o questionário de Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade de Atenção Básica – AMAQ, por meio de reunião programada com toda a equipe de saúde, para identificação da realidade local, permitindo conhecer as fragilidades da equipe sob as diversas dimensões e subdimensões do questionário, permitindo atuar de forma ativa, buscando meios de melhorar a qualidade da assistência prestada para a comunidade.

            Baseado nos resultados da Autoavaliação será escolhida uma fragilidade encontrada, com nota menor ou igual a 5, com a capacidade de intervenção nos determinantes proximais, sem depender de outros setores. Tal fragilidade será trabalhada em equipe, e criada uma Matriz de Intervenção definindo dimensão, subdimensão, padrão, e problema encontrado, permitindo elaboração de estratégias para se alcançar os objetivos, atividades que serão realizadas, recursos necessários para implantação, resultados esperados, profissionais responsáveis com a execução da intervenção, e mecanismo para se monitorar os resultados obtidos.

            Já sobre a monitorização de indicadores de desempenho com as dificuldades de obtenção de informações será utilizado algum indicador que seja fácil monitoramento, inclusive de forma manual, sem depender de informática e sistemas complexos.

            Sendo assim, foi convocado uma reunião com todos os profissionais da equipe de saúde para a aplicação do AMAQ na própria Unidade Básica de Saúde. Houve uma certa resistência, pois até então raramente ocorriam reuniões presenciais, e os problemas pendentes eram resolvidos por aplicativo de mensagens.

            Apesar disso, houve o comparecimento de todos, permitindo um olhar global de todo grupo de profissionais. O local escolhido foi um dos consultórios médicos, já que a UBS possui problemas de infraestrutura pertinentes, que prejudicam ações em grupo.

            A aplicação do questionário durou toda parte da manhã do dia estipulado, onde haviam discussões e comentários de parte dos profissionais.

            Após a exposição dos resultados, verificou-se que a equipe não realiza reuniões periódicas semanais, e que tal fato era possível intervenção por meio de determinantes proximais. Sendo assim houve interesse em mudar a realidade, elaborando a Matriz de Intervenção abaixo.

            Com a implantação da Matriz de Intervenção, sob responsabilidade compartilhada minha com outros profissionais, esperamos que em breve consigamos colocar em prática a intervenção. Existe uma necessidade de comunicação entre a equipe de forma presencial, para discutir sobre acontecimentos da semana, protocolos, verificação de problemas da equipe, educação permanente e troca de informações entre todos os membros. O uso de aplicativo de mensagens será utilizado apenas para casos pontuais, não substituindo a reunião presencial. O controle de frequência não possui caráter punitivo sobre o profissional faltoso, mas exerce o papel de monitoramento das participações das reuniões. Essas reuniões serão realizadas semanalmente sempre no mesmo horário, para criação de hábitos na equipe de saúde.

            Sobre as dificuldades que poderão encontradas, podem surgir descontentamento por parte de algum membro da equipe, já que a reunião demanda tempo e participação de todos. Então acredito que nas primeiras reuniões podem haver profissionais faltosos, ou que não participem de forma ativa na mesma. Aos poucos iremos reavaliar de forma contínua sobre as reuniões, escolhendo o dia e horário mais oportuno para todos, fazendo as readequações que forem necessárias para o melhor aproveitamento desse tempo em grupo.

            Já sobre o monitoramento de indicadores, após discussão com equipe de saúde por meio de reunião, com toda a falta de sistema e com o prontuário manual, foi escolhido o Indicador Percentual de encaminhamentos para serviços especializados. Será utilizado um controle manual de atendimentos a partir do mês de maio/2018, onde diariamente será registrado os dados dos pacientes atendidos com as seguintes variáveis:

  •   Iniciais do Nome;
  •   Sexo;
  •   Idade;
  •   Tipo de Consulta (Primeira/Retorno);
  •   Problemas de Saúde;
  •   Descrição dos Encaminhamentos para Serviço Especializado.

            Assim ao final de cada mês, será realizado um consolidado mensal, de forma manual, permitindo gerar gráficos e conseguir estipular o Índice de Resolutividade e o Índice de Encaminhamentos da Equipe de Atenção Básica, de forma contínua mensalmente.

            Espera-se que com a implantação da monitorização do indicador de encaminhamentos, seja possível conhecer a realidade da Equipe de Saúde, por meio dos resultados obtidos, já que não existe nenhuma forma de monitorização de qualquer indicador. Assim, facilitará a estipulação de metas na busca de um melhor índice de resolutividade da atenção primária.

            Será possível também verificar quais as áreas médicas os pacientes mais são encaminhados, de acordo com a realidade local da comunidade. Tais dados podem ser direcionados para a Secretaria Municipal de Saúde de Macapá, e verificar a probabilidade de contratação de profissionais dessas áreas demandadas para atuarem na Atenção Básica por meio do Núcleo de Apoio a Saúde da Família, atuando conjuntamente com a equipe de saúde local, e a possível interação entre ESF e NASF, por meio de consultas compartilhadas, realizando um cuidado integral a saúde da população adscrita. Além disso, há a diminuição da fila de espera dos encaminhamentos para outros setores da saúde, como exemplo na cidade o Hospital das Clínicas Dr Alberto Lima.

            Referente as dificuldades que poderão ser encontradas podemos destacar sobre o preenchimento dos dados. Para execução da monitorização do índice existe a necessidade de responsabilidade para alimentação com inserção dos dados no caderno. Lembrando que tudo será feito de forma manual devido a dificuldades tecnológicas em Macapá. Podem ocorrer a falta de inserção, ou ainda o preenchimento dos dados incompleto, que pode prejudicar no resultado, trazendo um viés de informação.

            Esses conhecimentos foram adquiridos durante o Curso de Especialização em Saúde da Família do PEPSUS em que as atividades são elaboradas com base no Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção. Dessa forma conseguimos aplicar tais conteúdos na prática diária da equipe de saúde, melhorando indicadores da equipe e preparação para avaliação externa para cada módulo estudado, como o finalizado agora que gerou este capítulo.

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ): manual instrutivo. Brasília: Ministério da Saúde, 2011e. 62 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos).

 

 

 

 

 

______. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ): manual instrutivo 3º Ciclo (2015 – 2016). Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/Manual_Instrutivo_3_Ciclo_PMAQ.pdf >. Acesso em: 18 abr. 2018.

 

 

 

 

 

______ . Ministério da Saúde. Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica – AMAQ. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/AMAQ_AB_SB_3ciclo.pdf >. Acesso em: 20 abr. 2018.

 

 

 

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